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Blockchain: sua empresa está preparada para essa transformação?

Por: Marcio Kikuti

Blockchain: sua empresa está preparada para essa transformação?
Posted on Jul 18, 2017

O blockchain está muito além do setor financeiro e você precisa saber disso. O uso da tecnologia já é uma realidade e uma necessidade

Apesar de ser mais conhecido como o sistema por trás do bitcoin, o blockchain vai muito além disso. Tanto que vem provocando mudanças disruptivas nos negócios, como no agronegócioe promete revolucionar os sistemas econômicos de diversos países, pois tem o poder de transformar processos seculares como transações financeiras e registro de documentos.

Originalmente formada por uma cadeia de blocos que armazena e valida informações de maneira descentralizada, transparente e inviolável, a tecnologia foi criada para funcionar como um livro razão distribuído que pode ser acessado por qualquer computador de forma rápida, segura e livre de fraudes. Mas hoje o blockchain foi replicado e adaptado, podendo formar redes fechadas como a Ethereum que, ao invés de informação, guarda um "programa" ou smart contracts.

 

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Por essas características, o blockchain deve provocar mudanças tanto na forma como as empresas criam e capturam valor, quanto na maneira como os consumidores recebem esses benefícios - tudo por meio de uma nova arquitetura peer-to-peer.

 

Blockchain é uma operação distribuída peer-to-peer


 

O blockchain e a revolução cotidiana

Assim como aconteceu com a internet comercial - que transformou profundamente toda a sociedade, nossa relação com o trabalho, o consumo, o tempo -, o blockchain pode alterar a ordem estabelecida graças a sua capacidade de tornar sistemas mais eficientes e sustentar modelos de negócio inovadores. Sua base acelera processos historicamente morosos como fazer um empréstimo, hipoteca ou transferência de propriedade.

Isso pode ser feito graças às garantias de validade das informações registradas, o que elimina intermediários e etapas burocráticas como avaliações e registro da documentação em papel, por exemplo. Se todas essas informações estiverem gravadas em um bloco do blockchain, o acesso a elas pode ser feito por qualquer computador de forma rápida e 100% confiável.

Mas, diferentemente do que aconteceu com a www, a tecnologia deve gerar uma revolução de uma forma menos vertiginosa. Ele não vai acabar com cartórios ou bancos - pelo menos a curto prazo - mas será a ferramenta usada para transformar essas instituições. As fintechs, por exemplo, estão causando disrupção no mercado. Explorando as vantagens da “cadeia de blocos”, elas oferecem serviços mais acessíveis, ágeis e seguros a um público que sequer sabe o que é o blockchain.

Esse tipo de operação já está mudando a realidade dos desbancarizados, a população sem acesso a serviços bancários que representa cerca da metade do total mundial, por volta de 2,5 bilhões de pessoas. Com muito menos custos e sem necessidade de comprovação formal de renda, eles conseguem realizar pagamentos, transferências de valor e obtenção de crédito de forma mais rápida e transparente. O resultado é o aumento significativo no público consumidor dos mais diversos mercados.  

Alguns tradicionais bancos brasileiros já entenderam a força dessa inovação e estão testando o seu potencial. O Bradesco, por exemplo, apostou na parceria com a startup Ewally para a criação de uma carteira digital, que pode ser acessada via smartphone, para pagamentos e transferência de dinheiro. Além disso, ao integrar-se ao consórcio mundial R3, desenvolveu, juntamente com o Itaú e o B3, uma prova de conceito mostrando como o blockchain poderia ser explorado para compartilhar cadastro de clientes, facilitando transações como financiamentos. Isso revela a grande atenção que essas instituições estão concedendo aos movimentos dessa tecnologia no mercado - no momento, existem aproximadamente 50 grandes bancos no mundo fazendo experimentações desse tipo individualmente ou em grupos.

 

Smart contracts

O uso dos smart contracts é outra grande aplicação do blockchain. Eles funcionam como um contrato normal, porém, são autoexecutáveis, o que significa que têm o poder de controlar o andamento a uma negociação sem a necessidade de advogados, cartório, banco ou qualquer entidade para intermediar ou validar a transação. Liberam pagamentos e aplicam penalidades financeiras automaticamente, caso necessário, com muito mais segurança e agilidade.

Um bom exemplo para entender o funcionamento dos smart contracts é a comprovação e administração do aluguel de um apartamento. Como tudo é feito pela internet, o processo é mais ágil tanto para o proprietário, como para o inquilino. Afinal, não é preciso a participação de intermediários e nem mesmo o encontro das partes envolvidas na negociação.

Algumas startups brasileiras como a Original My, especialista em autenticar documentos, exploram a tecnologia para eliminar gastos com cartórios. Um caso interessante experienciado pela empresa foi a realização do primeiro casamento brasileiro sem a necessidade de um tabelião. A cerimônia - que aconteceu na Campus Party 2017 - deu origem a um documento que possui prova legal de autenticidade, é assinado digitalmente e certificado em um meio público (blockchain do bitcoin). A certidão é irrefutável (nem seu conteúdo e nem a data e hora que ele foi registrado podem ser forjados), permitindo que ele seja utilizado como prova adicional e complementar em casos de disputa.

 

Blockchain: uma realidade promissora

Assim como algumas empresas já percebem essa realidade e adotam práticas que rompem as fronteiras das estruturas de controle intermediárias, os consumidores também revelam-se cada vez mais ligados no blockchain por meio do uso das criptomoedas como o bitcoin.

 

Caixas eletrônicos mundiais que aceitam bitcoin

Mapa de caixas eletrônicos que aceitam bitcoin ao redor do mundo.

 

No Brasil, esse uso é ainda incipiente, mas em outros países já é uma prática cotidiana. No Japão, as lojas de varejo aceitam o Bitcoin em transações e a expectativa é que mais de 260 mil comércios adotem esse modo de pagamento na temporada de verão. Já na Austrália, o governo pretende reconhecer essa criptomoeda como dinheiro, isentando impostos e estimulando o crescimento dela no mercado. Considerando que nosso país absorve novas tecnologias muito rapidamente, a tendência é que o mesmo aconteça em breve por aqui.

 

Mapa de aceitação bitcoin no mundo

Mapa de aceitação de bitcoin no mundo.

 

Por isso, é necessário ser ainda mais proativo e inserir o blockchain dentro de iniciativas na sua empresa. Certamente, isso não vai acontecer da noite para o dia, porém, é preciso enxergar o aumento significativo no acesso à internet e o interesse crescente das pessoas em obter produtos e serviços que tragam facilidades com agilidade. A minha dica é: procure entrar nesse universo o mais rápido possível. Comece observando o mercado e os usos que as empresas no mundo inteiro estão dando à essa tecnologia. Depois, aposte na experimentação, visando o blockchain com um propósito de transformação do seu modelo de negócio.