Como compartilhar aprendizados em tempos digitais

Por: Time CI&T

Um homem realizando uma videochamada no notebook.
Posted on Jun 22, 2020

 

O que você vai ler aqui:

  • Construindo a inteligência coletiva

  • As regras de ouro das equipes multidisciplinares e colaborativas

  • Ritos que ajudam a compartilhar conhecimentos no novo mundo 

 

Companhias digitais são velozes nas respostas aos desejos dos consumidores, são flexíveis e ágeis para acompanhar as mudanças do mercado, da sociedade e aproveitar o potencial das novas tecnologias. Para conquistar essas capacidades, elas têm como base de suas operações equipes multidisciplinares, colaborativas e autônomas - as chamadas squads -, que trabalham com foco primordial nas necessidades dos consumidores, mas sempre alicerçadas no propósito e nos objetivos da companhia. 

 

Mas para que funcionem, de fato, trazendo resultados ágeis e inovadores, as squads precisam mais do que reunir profissionais de alto potencial em suas áreas, dividindo a responsabilidade sobre entregas. Elas precisam ser formadas por pessoas que trabalhem bem com a autonomia, que tenham espírito empreendedor, inquietação pela busca das melhores soluções, por experimentar e, principalmente, motivação para o aprendizado constante e compartilhamento de conhecimentos.  

 

Times e profissionais com essas características são realmente capazes de gerar impacto com velocidade no novo ambiente. Isso porque são norteados pela cultura da experimentação, permitem-se errar, mudar de rumos até o acerto consistente na direção dos desejos dos clientes. Uma e outra vez, em ciclos constantes de build, measure e learning. Com base nesse ciclo, criam e são impulsionados pelo que há de mais valioso para as companhias em tempos incertos e voláteis: a inteligência coletiva

 

"É a capacidade de autoaprendizado veloz, de escalar o aprendizado corporativamente que traz uma velocidade muito rápida de resposta."

Solange Sobral, VP Partner de Operações

 

Ao contrário do que possa parecer, no entanto, essas equipes não são formadas por indivíduos fora de série. Elas são geralmente formadas por pessoas que combinam seu protagonismo com empresas com um ambiente propício para se desenvolverem, para potencializar talentos, no qual tenham liberdade para dar ideias, para criar, além de espaço e estímulo para aprender, ensinar e compartilhar. E quanto mais diversas forem as pessoas, quanto mais experiências e visões de mundo diferentes em um mesmo time, mais riqueza gerará, mais aspectos serão somados à inteligência da companhia. 

 

Para as empresas e lideranças não se trata, então, de buscar um dream team, mas de cuidar das suas pessoas, criando uma atmosfera colaborativa, na qual se respire segurança, confiança, respeito e estímulo à participação ativa e às trocas de saberes em busca de um objetivo comum. E, ao mesmo tempo, trata-se de cada pessoa entender o seu papel e contribuição individual na manutenção desse ambiente.

 

Neste novo contexto, no qual o trabalho remoto é o novo formato de operar, isso é ainda mais fundamental. Sem a presença física, a tendência é o isolamento de profissionais em seus campos restritos de ação e times em seus fluxos de valor. 

 

Criando ambientes de compartilhamento e aprendizado


A instalação deste ecossistema de compartilhamento de conhecimento entre pessoas e times - que permitirá a construção da inteligência coletiva - não ocorrerá naturalmente, mas dependerá da adoção de disciplinas e práticas que estimulem esses comportamentos.

 

E a melhor maneira de fazer isso, tanto para equipes que trabalham de forma presencial ou remota, é por meio da filosofia de gestão Lean. Com seus princípios, como o estímulo à comunicação constante e transparente, ao aprendizado em busca da melhoria contínua e à troca de experiências e conhecimentos entre equipes e lideranças, o Lean cria as bases para o estabelecimento da cultura do compartilhamento. 

 

"O Lean deixa muito claro que as respostas para os problemas de negócio surgem da reflexão conjunta, da busca colaborativa pela causa-raiz dessas dificuldades in loco e da elaboração e teste constante de hipóteses. E apresenta ferramentas e processos para isso."

Jeancarlo Cerasoli, Gerente Sênior de UX 

 

Entre as ferramentas está o Kaizen, uma metodologia que visa sempre a alcançar o melhor resultado em todos os processos da companhia. Aplicado à gestão de times, o Kaizen estabelece regras - conhecidas como "As 6 regras de ouro" - para melhorar a comunicação nas equipes, já que, neles, pessoas de formações diferentes e opiniões divergentes passam a conviver e dividir a mesa. 

 

São fundamentos que exigem um compromisso mútuo, tanto individual de cada profissional, quanto da equipe e lideranças.

 

As regras de ouro para profissionais e equipes multidisciplinares e colaborativas 


1. Respeitar as pessoas - O respeito deve ser a base de qualquer interação. Aqui, propõe-se a eliminação dos julgamentos e da culpabilização, a adoção de uma postura gentil e a abertura para a escuta.


2. Dizer a verdade - Ser transparente, ter sinceridade nas comunicações e resolver os problemas sempre com o apoio de fatos e dados, principalmente em um ambiente digital, é fundamental.


3. Pensar e agir com segurança - Seja prudente nas ações e se cerque de fatos que suportem argumentos.


4. Perguntar “por quê?” - Para o Lean, a pior situação é a atual. O processo é de melhoria contínua. Perguntar o porquê e buscar as causas-raiz dos problemas e conflitos ajuda a eliminá-los de vez.


5. Experimentar - Sempre tente algo novo. Para o Lean, só se aprende fazendo. Só se inova com experimentação. Em uma cultura que tem como premissa o trabalho em equipe e a autonomia dos times, é fundamental desenvolver esse mindset de troca de ideias e experiências.


6. Participar ativamente - Comemorar os sucessos e compartilhar lições aprendidas com fracassos é imprescindível. Dividir méritos e responsabilidades, ter abertura para receber e dar feedbacks traz coesão e confiança.

 

Ritos que ajudam a compartilhar conhecimentos no novo mundo

 

Outras ferramentas essenciais do Lean são ritos, como as reuniões diárias, semanais e mensais para sistematizar o intercâmbio constante de pontos de vista, favorecer a criação de consensos e sanar conflitos. 

 

Para estimular o compartilhamento de aprendizados, ainda mais em tempos de comunicação apenas por interfaces digitais, as lideranças devem tornar esses ritos momentos propícios à troca de ideias e dar o exemplo, trazendo novos conhecimentos, referências de leituras, cases e perguntando às pessoas sobre insights e descobertas interessantes. 

 

Além disso, devem abrir espaço para o protagonismo e autonomia de cada integrante do time para que não só se engajem nesses ritos, mas possam propor outros que façam sentido para o contexto do time.

 

"As lideranças têm em mãos uma excelente oportunidade de engajar seus times na busca pelo desenvolvimento e aprendizado por meio da construção de um propósito." 

Joceline Seixas, Sênior Business Partner Manager


 

Outros recursos de alto valor para evitar que profissionais se fechem demasiadamente em seus times, no dia a dia da sua operação, fiquem na estagnação ou se restrinjam aos mesmos temas são os chamados Chapters e Guilds. Desenvolvidos no Spotify, esses dois ritos estimulam as trocas de conhecimentos além das fronteiras das equipes, apoiando a construção da inteligência coletiva de ponta a ponta na companhia.

 

Os chapters, ou capítulos, basicamente, reúnem profissionais da mesma área com uma periodicidade pré-estabelecida para troca de informações, visando à atualização deles em suas áreas. Assim, além de trocar novos aprendizados nas suas disciplinas específicas, as pessoas envolvidas ainda têm acesso a novos olhares sobre as práticas devido às diferentes aplicações em contextos e negócios distintos. Além disso, o rito gera um senso de pertencimento a estes profissionais fora dos muros de suas equipes. 

 

Já as Guildas, ou ligas, também funcionam como estruturas horizontais de troca de conhecimento, porém, são multidisciplinares, divididas por interesses compartilhados e têm caráter temporário. Seja aprender uma nova tecnologia, discutir sobre uma solução para problemas compartilhados entre diversos times ou qualquer outra necessidade, participantes das Guildas se reúnem para adquirir aquele novo conhecimento. E quando o incorporam às práticas da empresa, essa unidade se dissolve.

 

Os Chapters e as Guildas devem acontecer por iniciativa de profissionais que têm interesse nesses tipos de trocas. Ganham profissionais e ganha a companhia e as lideranças podem incentivar a criação destes grupos e garantir que todas as pessoas interessadas tenham condições de se envolverem com eles.

 

"Essas práticas ajudam a preservar o formato sem paredes da operação digital da empresa, mantendo o intercâmbio de conhecimentos e o fluxo contínuo de ideias e aprendizados."
Jeancarlo Cerasoli, Gerente Sênior de UX