Como ter força de um gigante e agilidade de uma startup

Por: Bruno Guicardi

Como ter força de um gigante e agilidade de uma startup
Posted on Dec 1, 2018

Em tempos de inovações disruptivas, em que a velocidade da mudança é a maior mudança, grandes empresas precisam se transformar.

 

 

Como sobreviver em um mundo hiperconectado sem realizar uma transformação digital? Impossível.

Há, no mercado, ofertas de muitos modelos para a realização da transformação digital que parecem soluções milagrosas. Projetos que tentam conquistar agilidade por meio da velocidade de implantar novos processos tecnológicos, mas acabam não sendo sustentáveis. Pela experiência que desenvolvemos desde o início da transformação digital na CI&T, há uma década, implementar novas tecnologias e treinar equipes para aplicá-las de forma consistente leva tempo.

Não há milagre que faça com que, depois de alguns poucos treinamentos, a empresa inteira mude a sua forma de operar. Também não há uma lista finita e detalhada do que a empresa precisa ter para alcançar a maturidade digital. É uma jornada infinita. A boa notícia é que ela é muito recompensadora.

 

Melhoria Contínua

 

Para nós, a transformação real começou com a descoberta do Lean. O Lean é uma metodologia criada nos anos 50 para melhorar o desempenho das empresas mudando a forma como elas encaram e solucionam problemas. Com os princípios e processos do Lean aplicados em canais digitais, desenvolvemos o modelo de transformação que chamamos de Lean Digital Transformation.

 

eBook Lean Way to Digital Success

 

Transformação digital: para aprender é preciso fazer

O que resume o nosso modelo de transformação é o aprender fazendo. Não acreditamos em receita de bolo. Só com a prática teremos a confiança e a segurança para acertar. A estratégia é mudar gradualmente e de forma consistente. Escolher uma área para começar, descobrir onde estão os pontos fracos e aplicar o Lean para solucioná-los. Estes passos seguros fazem com que a mudança vá ocorrendo sistematicamente, de forma bem estruturada e continuada e que os resultados apareçam rapidamente, mostrando valor desde o início e ao longo de todo o processo.

 

para aprender é preciso fazer

 

 

Um bom lugar para começar é no e-commerce, por exemplo. As necessidades nesse contexto giram em torno de criar um ambiente de vendas mais preparado para suportar a experiência digital e mais ágil para responder à velocidade do mercado e acompanhar a jornada do consumidor. Como resolvemos isso? Por meio do desenvolvimento contínuo que facilite a criação de novas funcionalidades sem grandes impactos. Porém, para conseguir isso é necessário mudar a arquitetura dos sistemas tradicionais. Muitas boas ideias param nos sistemas legados. Na maioria das vezes, não falta vontade e nem capacidade nas equipes de tecnologia, mas para cada nova app que se quer desenvolver, é necessário mudar partes do sistema antigo. Isso é um caminho moroso, complexo.

Para tornar esse processo mais ágil é necessário fazer com que essa arquitetura seja mais desacoplada, menos dependente do legado. Uma maneira de conseguir isso é aplicando ferramentas que permitem o desenvolvimento de features de forma independente, como API management e micro-services. A estratégia é ir, aos poucos e dentro do possível, encapsulando a complexidade dos sistemas legados e oferecendo uma interface mais clara para que os novos sistemas consigam ser construídos de uma forma mais autônoma. Assim, os times de Digital andam sozinhos e resolvem os problemas rapidamente.

Além de trazer agilidade, essa solução torna o trabalho mais simples e facilita a vida das pessoas, deixando-as confortáveis em mudar as práticas que antes eram rotineiras. Assim, os times se tornam defensores e multiplicadores da nova maneira de fazer. Rápida e eficiente. Esse é um princípio Lean: aplicando processos que mudam os comportamentos, a empresa transforma a sua cultura. E, pouco a pouco e de forma natural e orgânica, ela vai ficando mais preparada para atender com consistência ao mercado que exige velocidade e qualidade. A mudança cultural é a chave para conseguir realizar uma transformação digital.

 

Mudança Cultural

Além de aplicar esses processos-chave para modificar o jeito com que os times operam, outro importante ponto a trabalhar é modificar a forma como se resolve os problemas. Hoje, o que normalmente se faz é procurar os culpados. Por isso, as pessoas têm medo de arriscar, de errar. Esse modelo é replicado de cima para baixo e, além de matar a criatividade, cria um clima inóspito na empresa. O problema deve ser encarado como uma oportunidade de aprendizado. Ao invés de procurar os culpados, procurar as causas raiz para, de fato, solucioná-lo. Assim, as pessoas se sentirem à vontade para criar e aprender. Todos ganham.

Na transformação da CI&T, este foi um ponto crucial e o que realmente mudou nosso jeito de pensar foram ferramentas como o A3. O A3 nada mais é do que uma apresentação visual em uma folha A3 de um problema e do plano de ação para solucioná-lo, tudo estruturado com base no modelo científico para resolução de questões. Primeiro, se identifica o problema, depois criam-se as hipóteses de causas e planos de ação para as soluções.

 

Metodologia A3


Comece pelas lideranças

Como a cultura é replicada pelo exemplo dos líderes, eles têm que ser os primeiros a mudar esse mindset. Além de usar o A3 para olhar para o problema de forma objetiva e aberta à experimentação, eles têm que estar junto aos times em todo o processo. Para desenvolver essa dinâmica, há outra ferramenta simples e eficiente, o Gemba. O Gemba é estar presente, trabalhar ao lado da equipe quando uma dificuldade se apresenta e conduzí-la para a solução.

Um princípio fundamental do Lean é que líder é quem entende profundamente o trabalho. Consegue não só assumir compromissos pelo time, mas também desenvolvê-lo, desafiá-lo em direção ao crescimento. Pode não conhecer os processos em detalhes, mas é quem está mais apto a vislumbrar o contexto e as possibilidades a partir dele.

A transformação Lean Digital é uma jornada com começo, mas sem fim. É a mudança constante e estruturada. Não é algo simples, portanto o gestor tem que ser diferente do modelo tradicional e não ficar em sua sala apenas esperando soluções e relatórios. Para se manter por dentro da velocidade das mudanças nas práticas das equipes, ele tem que ter como meta pessoal estar envolvido e com a mão na massa. Assim, além de dirigir os times, ele se desenvolve junto com eles e está sempre atualizado, em constante aprendizado e se torna uma inspiração.

Isso deve acontecer sempre, ser constante, para tornar-se verdadeiramente uma nova forma de funcionamento. Só com a prática constante se cria a memória muscular. É isso: só com a utilização sistemática desses novos processos e dessa nova prática é possível realmente desenvolver domínio sobre elas, contagiar as equipes e transformar a cultura.

 

Mudando os times

Com as lideranças preparadas para esse desafio, a mudança de comportamento dos times se dá a partir do uso dos princípios Lean no dia a dia e do desenvolvimento de habilidades como a empatia para que os times consigam trabalhar juntos de uma forma multidisciplinar e a compreensão da linguagem específica de cada um dos seus colegas de trabalho que tem outras especialidades. Profissionais de desenvolvimento, de início, podem ter dificuldades de se comunicar de forma certeira com designers e com responsáveis pelo marketing, por exemplo. Cada um tem que ter uma imersão no universo do outro para encontrarem uma linguagem comum. P)ara cada um desses passos, são necessários processos estruturados e constantes.

Antes de começar a jornada transformação digital, precisamos ser conscientes - pessoas e empresas - que a transformação é uma constante e aceitar de que somos seres incompletos. Não vai haver estabilidade nunca. É um constante desafio, mas são eles que nos mantém vivos.

 

Duas capacidades-chave para o sucesso

A experiência de mais de 20 anos de CI&T nos ensinou que para ter preparo é necessário desenvolver duas grandes capacidades: a primeira é a de tomar o pulso do seu cliente, de observar comportamentos mudando e ver para onde estão indo. Somada a isso, a criatividade para conceber soluções digitais que estejam integradas dentro de um contexto omnichannel e, assim, desenhar experiências relevantes.

A segunda, é a capacidade de fazer rápido. Como citado anteriormente, para esse novo mercado cheio de incertezas e inconstâncias, os testes, o erro e o acerto, é que vão mostrar o caminho. Ninguém sabe o que vai ser sucesso ou não. Nem os maiores especialistas ou as melhores ferramentas. Eles podem dar boas ideias, não certezas. O caminho para desenvolver produtos de sucesso começa com o entendimento das limitações, sejam elas tecnológicas, sejam de mercado. Depois, é o fazer. Só o teste de verdade, real, vai dirimir os riscos e responder como aquele produto ou aquela ideia vão ser percebidos. Para ter a resposta em tempo hábil de lançar o produto, é preciso diminuir muito o ciclo do desenvolvimento dos experimentos que serão necessários. Testar rápido, para aprender rápido e acertar rápido. O que é surpreendente hoje pode ser comum em seis meses.

A transformação digital é o caminho necessário para conseguir desenvolver essas capacidades. Só com uma grande mudança nas suas práticas tradicionais, as empresas estarão aptas a fazer bom proveito de ferramentas de análise de dados e, a partir dos insights gerados por elas, ter boas ideias e fazer o produto chegar ao consumidor no menor espaço de tempo possível.