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Criar um ambiente seguro para experimentar é a chave para ser digital

Por: Marlon Silva

Criar um ambiente seguro é a chave da transformação digital
Posted on Jul 13, 2018

Para ter sucesso no modelo de operação digital, as empresas precisam realizar uma mudança cultural que entregue nas mãos dos líderes a missão de assegurar às pessoas a confiança para falhar rápido e aprender rápido.

 

 

Passando por mudanças profundas e velozes, o mercado exige das empresas a experimentação ágil e constante, o que pressupõe assumir para si o famoso lema das startups fail fast, learn fast. Neste contexto, o desafio das organizações é desligar suas bases calcadas na previsibilidade e preparar-se para esse mindset que entrega nas mãos dos líderes a grande missão do momento: a de assegurar a inovação por meio da criação de um ambiente no qual os colaboradores se sintam seguros para ousar.

Como fazer isso? Um caminho efetivo é a adoção de fundamentos da filosofia de gestão Lean. Com um poderoso arcabouço para guiar e estabelecer uma mudança cultural em direção à colaboração e o aprendizado em busca da melhoria contínua, o Lean permite às organizações estarem prontas para enfrentar os desafios impostos pelo digital. Com princípios como o de entender o erro como oportunidade de melhoria e o Safety - a criação de um ambiente de segurança - é possível construir uma corporação onde se respire criatividade, agilidade e inovação.  

 

Safety: uma mudança de mindset

Porém, para que as pessoas possam se arriscar e fazer um movimento diferenciado em qualquer ambiente que seja, principalmente no corporativo de alta competitividade, elas precisam se sentir apoiadas, precisam ter uma rede de confiança. Sem se sentirem seguras, elas simplesmente não são capazes de entregar seu melhor. E o princípio do Safety aponta para isso, para a necessidade de que as empresas estabeleçam um ambiente de trabalho que estimule as pessoas a se sentirem confortáveis para propor ideias, gerar insights e arriscar novas formas de fazer. No ambiente digital, onde errar faz parte do necessário ciclo de testar e aprender até acertar o coração do consumidor, isso é imprescindível.

Costumo exemplificar a necessidade do Safety colocando uma questão linguística muito simples: provocar as pessoas a analisarem o sentido de algumas palavras e a pensarem sobre como se sentem em relação a elas.

O significado de ‘transformação’, por exemplo, pode ser interpretado de maneira assustadora por quem está acostumado a bases sólidas e certezas. Vamos, então, usar a palavra "evolução". Já "perfeição" traz uma carga pesada, a carga da impossibilidade. Nesse caso, melhor usar "melhoria contínua". E "problema" é talvez a palavra mais difícil de desconstruir porque carrega uma conotação muito negativa. Fomos criados desde crianças para interpretá-la dessa forma. "Falhas, erros são puníveis", dita o senso comum. As pessoas precisam entendê-la como parte do aprendizado, oportunidade de corrigir, melhorar, de dar um passo além. Para isso, porém, as lideranças devem mostrar, com atitudes e exemplo, que os problemas devem ser trazidos à tona e tratados sem julgamento ou culpabilização.

Ressignificando as palavras, ou mudando por outras, já trazemos uma maior leveza, maior conforto, para a maioria dos nossos interlocutores. Parece simples, mas é efetivo e é um pequeno exemplo dos passos para a criação de um ambiente de segurança.

 

Um desafio nas mãos das lideranças

Você ficou desconfortável com a ideia de "deixar as pessoas se arriscarem" e com a palavra "problema" e a necessidade de tratá-la como oportunidade? Natural, pelos motivos descritos acima. Em um artigo anterior, sobre como tornar-se líder Lean, escrevi que o maior desafio dos novos tempos está nas mãos da lideranças. Isso porque cabe a elas iniciar a transformação cultural por uma mudança pessoal. O autoconhecimento é o primeiro passo para atingir uma Liderança Lean e ajudar a criar e sustentar esse ambiente de segurança, colaboração e experimentação.

Fazendo o permanente exercício de olhar para si mesmo, o líder consegue reconhecer as suas falhas, limitações e seus próprios recursos: valores, propósitos, forças e talentos. Ele deve observar suas atitudes no dia a dia - a forma como age e reage frente às situações e aos problemas, como se sente em relação a quem errou -, e transformar-se pouco a pouco. Da postura de chefe que ordena, aponta e pune, deve nascer o líder que colabora, orienta e apóia na busca pela solução, na exploração da oportunidade. Essa não é tarefa fácil, como dito acima. É o maior dos desafios da transformação digital. Mas é possível e deve ser realizada com apoio do Lean.

 

A vez dos times

Depois de realizados esses passos, o líder precisa voltar seu olhar para o outro e procurar entender de forma profunda quem são as pessoas que formam seu time: suas características, jeitos, medos e anseios.

Pelo que acompanho no mercado, a falta desse olhar cuidadoso e de comunicação real e efetiva são os grandes erros cometidos na tentativa de construir um ambiente de segurança. Para ser um bom líder é primordial desenvolver a empatia, aprender a se aproximar das equipes e fazer as perguntas certas, da forma certa, no momento certo. O que eles pensam? Quais são os seus valores e propósitos? Por que não se sentem à vontade em expor opiniões, ideias e até falhas?

Derrubada a barreira da comunicação, naturalmente o líder vai inspirar as pessoas do seu time a agirem da mesma forma, com empatia e confiança, e a traçarem os seus caminhos de autoconhecimento para desenvolver habilidades e esquecer antigos padrões de receio de opinar, medo do risco. Estimuladas a entregar o seu melhor, as pessoas saem do automático, ativam sua mente e encontram seu propósito e seu caminho dentro da empresa.

As lideranças têm um papel fundamental na sustentação desse movimento, como já dito, mas devem ser apenas facilitadoras e deixar que as pessoas construam o próprio caminho. Dadas as bases pelo líder, cada uma dela é responsável por multiplicar o mindset e estabelecer de fato a nova cultura na empresa.   

Quando me deparo com times de sucesso, tenho a certeza de que eles têm boas lideranças e atuam em ambientes seguros, de cocriação e colaboração. Que os produtos são desenvolvidos com base no compartilhamento de ideias e soluções, por profissionais que não têm medo de arriscar, falhar ou inovar e que buscam constantemente a perfeição, ou seja, a melhoria contínua.

E é isso que você, como líder, deve estimular sempre nas suas equipes: que todos estejam prontos para ousar, errar, aceitar as suas falhas - e as dos demais - e dispostos a corrigi-las. Dessa forma, você terá equipes preparadas para experimentar, aproveitar oportunidades, evoluir constantemente e inovar, trazendo para as empresas a capacidade de surpreender seu consumidor, de causar disrupção no seu mercado.