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Desenvolvendo a criatividade nos times

Por: William Roscito

Desenvolvendo a criatividade nos times
Posted on Mar 8, 2018

A criatividade é uma das habilidades humanas mais valorizadas no mercado. E isso não é recente: há oito anos, um estudo da IBM já mostrava que, para 60% dos 1,5 mil CEOS de grandes empresas de 60 países, esta era a competência mais importante para desempenhar um papel de liderança. Mas o que é a criatividade? Seria um dom inato ou uma capacidade passível de ser aprendida e desenvolvida? Como um líder pode desenvolvê-la nos colaboradores? Qual a importância de contar com times criativos? É do que vamos tratar neste artigo.

Por definição, criatividade é a habilidade de encontrar soluções ou respostas originais, que não sejam óbvias ou previsíveis, para resolver problemas e desafios. É conseguir transformar novas ideias em realidade.

Quando se pensa em criatividade, a relação imediata que normalmente se estabelece é com atividades que de algum modo tenham a ver com arte - arquitetura, música, artes plásticas, etc. Mas o poder de criação transcende a arte e é extremamente útil em todas as áreas, inclusive nos negócios.

E no cenário digital em que estamos, onde as mudanças ocorrem em altíssima velocidade, com a tecnologia oferecendo facilidades e novas funcionalidades que alteram nossas rotinas a todo momento, é cada vez mais importante apostar na inovação. E para isso, estimular e aproveitar o potencial criativo de todos os colaboradores é fundamental. Todos?

 

Infográfico desenvolvendo a criatividade

 

Desmistificando o poder da criação

Sim. Todos somos potencialmente criativos. Lembre-se de quando era uma criança: as ideias mais fantásticas brotavam e não eram refutadas ou julgadas, elas simplesmente eram aproveitadas ou não. E sempre novas ideias surgiam, independentemente de fazerem sentido. À medida em que vamos crescendo, o medo do fracasso, a insegurança, o julgamento ou a cobrança - pessoal ou alheia - podem fazer com que se vá perdendo essa confiança inata na própria capacidade de encontrar soluções. Mas a verdade é que, ainda que alguns sejam mais ou menos inventivos que outros em diferentes campos de atuação, todos nós podemos ser criativos. Esse potencial pode ser resgatado.

Em seu livro Confiança criativa: Libere sua criatividade e implemente suas ideias, os irmãos David e Tom Kelley, fundadores da prestigiada IDEO e da Stanford d.school, citam o psicólogo Robert Sternberg, que passou mais de três décadas pesquisando exaustivamente a inteligência, a sabedoria, a criatividade e a liderança. Ele apontou aos irmãos Kelley uma característica comum às pessoas criativas que entrevistou: todas elas, em algum ponto da vida, decidiram ser criativas. E elas são, conforme Sternberg, pessoas que tendem a:

  • redefinir os problemas de novas maneiras para buscar soluções;
  • correr riscos sensatos e aceitar o fracasso como uma parte natural do processo de inovação;
  • enfrentar os obstáculos que surgem ao confrontar o estado atual das coisas;
  • tolerar a ambiguidade quando não têm certeza de estarem no caminho certo;
  • continuar se desenvolvendo intelectualmente em vez de deixar suas habilidades e conhecimento se estagnarem.

 

Características das pessoas criativas

 

 

Portanto, como líder, nada de dizer (ou aceitar ouvir de um colaborador) “ah, eu não sei criar, não sou criativo”. Desmistifique essa aura quase mágica que envolve a capacidade de criar. Como dizem os irmãos Kelley, “a confiança criativa é como um músculo que pode ser fortalecido e exercitado com empenho e consciência”. Portanto, tudo é vontade, exercício, esforço e dedicação.

 

A criatividade é muito mais ampla e universal, estendendo-se além das áreas consideradas “artísticas”. Pensamos na criatividade no sentido de usar nossa imaginação para criar algo novo no mundo. (...) a criatividade entra em ação sempre que você tem a chance de criar novas ideias, soluções ou abordagens, e acreditamos que todo mundo deveria ter acesso a esse precioso recurso.

          Tom e David Kelley, Confiança criativa:

Libere sua criatividade e implemente suas ideias

 

 

Liderança criativa para equipes mais inventivas

Em ambientes corporativos tradicionais, a liderança ainda se dá no modelo comando e controle, no cumprimento de regras que ‘sempre foram assim’. É um mindset fechado e restritivo que não estimula e, na verdade, desencoraja a iniciativa e participação das pessoas. Todos ficam preocupados em “fazer do modo certo”, dentro do seu escopo restrito de atuação e fugir do erro, o que acaba por prejudicar a criatividade e, consequentemente,  a inovação.

Para a empresa que deseja trilhar um caminho inovador, esta cultura de controle, esse mindset fixo, já não serve. As equipes ágeis e de alto desempenho requeridas pelo nosso cenário de transformação digital precisam de líderes que saibam orientar em vez de apenas ordenar, que consigam observar sem fazer julgamento, que possam inspirar e conduzir seu time sem controlar, estimulando a colaboração e a livre troca e debate de ideias, incentivando-o a ser ainda mais curioso e inventivo.

Este modelo de liderança foi amplamente detalhado no artigo do nosso Analytics Manager, Gabriel Marostegam. O que nos interessa, aqui, é deixar claro que este é o líder capaz de ajudar a desenvolver a criatividade no seu time. Ele estimula um ambiente de livre cooperação, valoriza o erro inteligente como uma oportunidade para aprender a fazer melhor e proporciona um ambiente acolhedor para ideias arrojadas e soluções inovadoras.

 

Novo perfil de liderança

 

Essa verdadeira revolução cultural, a partir dessas lideranças que dão o exemplo, é um pré-requisito para qualquer empresa que deseje ser ou se manter relevante nesse mercado tão incerto e veloz. Ao aproveitar o potencial criativo dos colaboradores, as equipes se desenvolvem e, consequentemente, as empresas atingem maior capacidade de crescimento no mercado.

 

Acreditamos que criatividade e liderança são a chave para

qualquer empresa ter sucesso e ser inovadora.

Susann Schronen, CEO da Berlin School of Creative Leadership

 

 

Estimulando um ambiente criativo

Há diversas estratégias, ferramentas e iniciativas para desenvolver e utilizar melhor a criatividade - desde o clássico ‘brainstorm’ até as mais modernas técnicas de design thinking. Mas há alguns requisitos que não podem faltar se o que se deseja é usufruir dos benefícios de um ambiente propício às novas ideias.

Um desses requisitos é investir em colaboração mais do que apostar em competição. Ainda que a ideia de lançar desafios para diferentes equipes e ver quem tem sucesso primeiro - com ou sem incentivos financeiros - possa gerar bons resultados, os frutos da colaboração sempre serão mais ricos. Um estudo da Universidade de Washington, por exemplo, apontou que os efeitos positivos da competição sobre a criatividade se mostraram mais relevantes em equipes com mais homens do que mulheres. Já os efeitos negativos foram percebidos de forma mais acentuada nos grupos em que havia mais mulheres, mas apenas quando a concorrência era elevada aos mais altos níveis.

Assim, usar a competição como estímulo à inovação (funciona para alguns grupos e para outros, não) pode não ser a melhor opção, principalmente se - olhando para esse estudo - considerarmos que há cada vez mais mulheres nas diferentes equipes de trabalho. Por outro lado, nos testes aplicados pela Universidade, quando os grupos trabalharam juntos sem concorrer uns com os outros, aqueles com maior número de mulheres obtiveram resultados melhores do que os formados majoritariamente por homens.

Um ambiente criativo pressupõe que trabalhemos para desenvolver as ideias uns dos outros, que um complemente o que o outro criou. Quando fazemos um brainstorm, não procuramos chegar à solução do problema de imediato: a “chuva de ideias” é justamente o exercício inventivo a partir do desafio proposto. Muitas vezes a solução vem da união de pedaços de ideias de diferentes fontes.

Percepção é outro requisito, assim como a curiosidade pelo mundo que nos rodeia. Como uma criança, devemos exercitar nossa capacidade de fazer perguntas, investigar, ter interesse sobre a mais variada gama de assuntos. Não espere jorros de criatividade se você só lê a respeito de meia dúzia de temas que lhe interessam, não presta atenção ao que acontece ao seu redor e não tem minimamente a curiosidade à respeito do que outras pessoas fazem, dizem, mostram, sugerem.

E também não espere que a criatividade funcione com um clique, como se bastasse pensar para que uma solução se apresente. Muitas vezes, quando já nem estamos mais pensando em um problema é que surge um insight, um pensamento novo, um momento “Eureka!”.  Quantas vezes você já teve ideias durante o banho, enquanto caminhava ou simplesmente relaxava, depois de já ter parado de pensar ativamente sobre determinado problema? É como se, ao desligar um pouco aquele foco, nos tornássemos mais abertos para que outros pensamentos chegassem, se fossem, e eventualmente se combinassem.

 

A mente faz conexões improváveis entre ideias, memórias e

experiências quando estamos relaxados e não focados em

uma tarefa ou projeto específico.

David e Tom Kelley

 

Esse estado, que o mentor de David Kelley chamava de “atenção descontraída”, nos situa entre a meditação - quando se tenta esvaziar a mente -  e o foco intenso que utilizamos para resolver alguma situação, e pode ser um poderoso estímulo para deixar que novas ideias fluam. Os irmãos contam no livro que David costuma deixar um pincel atômico no chuveiro para poder escrever no vidro do box alguma ideia que lhe ocorra. E quanto mais memórias, interesses, experiências, enfim, quanto mais rico for o seu conjunto de referências, mais elementos você terá para tecer relações entre coisas improváveis, mais material para novas ideias. Por isso falamos anteriormente: não espere criatividade se antes não houver curiosidade e interesse pela diversidade da vida.

Leah Farmer, VP e Creative Director na agência BKV, listou em um artigo os cinco elementos que devem ser assegurados para promover o sucesso criativo em uma empresa:

  • Oportunidade: demonstrar que todos têm importância e quem quiser contribuir é sempre mais do que bem-vindo.
  • Encorajamento: estimular as pessoas a saírem de suas zonas de conforto e experimentarem, sabendo que todos serão ouvidos sem julgamento ou dedos apontando erros ou “bobagens”.
  • Treinamento: a empresa pode colocar à disposição dos colaboradores ou incentivá-los a terem experiências (oficinas, cursos, workshops, etc.) que os tirem da zona de conforto, que aperfeiçoem suas habilidades e que propiciem novos contatos e vontade de aprender coisas diferentes.
  • Motivação: colocar as pessoas desempenhando tarefas que elas realmente gostem. O colaborador motivado é aquele que sabe que pode contribuir para melhorar um produto, serviço, rotina ou na criação de novas oportunidades. Já dizia Carl Gustav Jung: a mente criativa brinca com aquilo que ama.
  • Acima de tudo, muita prática: participar dos processos, conhecer a fundo o negócio, o cliente e suas necessidades e procurar ter ideias e descobrir soluções originais.

 

Elementos para o sucesso criativo

 

Num mundo em que as mensagens chegam às pessoas onde quer que elas estejam e no qual estamos o tempo todo concorrendo pela atenção do público, diferenciar-se e ser relevante é praticamente um imperativo. Temos que desenvolver e entregar o produto ou serviço certo para o cliente, do jeito que ele prefere, na hora e no lugar em que ele precise. E para isso temos que engendrar novas formas de abordagem, desenvolver estratégias inovadoras e atraentes.

Portanto, precisaremos cada vez mais de pessoas criativas, capazes de vislumbrar e construir novas soluções - os líderes inspiradores e seus times inspirados e colaborativos. Afinal, parafraseando Leah Farmer, é a criatividade que alimenta a fogueira da inovação.

 

Whitepaper Desenvolvendo a criatividade nos times