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Hoshin Kanri: uma metodologia de planejamento estratégico

Por: CI&T Team

O que é Hoshin
Posted on Jul 3, 2018

Do comando e controle, as empresas passam a atuar por um modelo que promove a colaboração, a troca de conhecimentos e a inteligência coletiva.

 

Em um mundo de mudanças velozes devido ao avanço do digital, vemos as empresas cada vez mais impactadas pela necessidade de transformação. Para elas, o maior desafio está em mudar um mindset de atuação que ainda defende características de comando e controle para outro completamente diferente, em que predominam as práticas ágeis de colaboração, cocriação e interação. E, aqui na CI&T, nós encontramos uma maneira de vencê-lo: por meio de uma metodologia de planejamento estratégico conhecida como Hoshin Kanri. Você já ouviu falar sobre esse método de gestão? Entenda tudo sobre o assunto neste artigo.

 

A origem do Hoshin Kanri

Hoshin Kanri é um sistema de planejamento, execução e desdobramento das estratégias das organizações derivado do método de Gestão da Qualidade Total (TQM), criado nos Estados Unidos, na década de 1960. Adotado pela montadora japonesa Toyota em uma articulação com a filosofia de gestão Lean, passou a ser uma importante metodologia para desenvolver as empresas. Com a leitura da Toyota, o Hoshin Kanri tornou-se um processo coordenado de resolução de problemas, que usa ferramentas comuns do Lean (como A3, Kaizen, PDCA e Gemba) para movimentar a organização inteira em torno da criação de soluções de negócio.

O sistema é dividido em duas etapas: o Hoshin (Ho significa direção, Shin significa agulha) e o Kanri (Kan significa controle e Ri, a lógica).

 

diagramhoshin

 

Em japonês, Hoshin significa “a visão do norte verdadeiro”, ou do true north. Nessa etapa, são definidos e desdobrados os objetivos da empresa - e estes devem ser facilmente compreendidos e tornar-se o foco maior de todos dentro da organização. Por isso, ele consiste, basicamente, em dinâmicas para a construção colaborativa de um planejamento estratégico em direção a esse norte verdadeiro.

Assim, por meio do envolvimento entre os líderes da empresa, com as camadas sêniores de liderança e seus times, são realizados ciclos estruturados e periódicos de discussão e definição de metas (que devem compor o true north ou objetivo de longo, médio e curto prazos da organização). Nessa fase, são discutidas hipóteses e feitas análises sobre os melhores caminhos a serem seguidos dentro de uma estratégia. É um momento de reflexão e muita troca, em que as pessoas se sentem à vontade para opinar e, lado a lado com mestres Lean, contribuir para o desenvolvimento de insights usando os melhores recursos: o cruzamento da inteligência coletiva com os fatos e dados disponíveis.

Após a realização do Hoshin, entramos para a segunda etapa do processo: a de colocar em prática as ações necessárias para alcançar as metas definidas. É a fase do Kanri, da experimentação ou do desdobramento da estratégia, que permite às organizações encontrarem a melhor solução para os seus problemas em um ambiente de interação. Nela, nasce a possibilidade de alteração de rotas, onde é possível verificar e validar hipóteses e, a partir disso, ser muito mais preciso nas decisões. É a fase de aprendizados na prática e também o momento de estabelecer, consolidar e evoluir o modelo de atuação ágil.

 

Hoshin + Kanri

Portanto, quando nos referimos a Hoshin Kanri, falamos de uma metodologia de planejamento capaz de transformar não somente o modelo de atuação das empresas - antes, formado por silos, baseado em comando e controle e muito hierarquizado -, mas seu processo de tomada de decisão. Em vez de guiarem um pensamento pela visão única de um líder, ele é formado com base no cruzamento de ideias, experiências e insights provenientes das mais diversas camadas de liderança que compõem a organização.

Por meio de debates colaborativos, estimulam-se a reflexão e a análise profundas a respeito dos problemas de negócio da empresa. Depois, acontece a priorização das questões com maior impacto, desenvolvem-se hipóteses de solução e se realizam experimentos em ciclos curtos de teste e validação com o objetivo de gerar aprendizado e melhorar os resultados de forma continuada.

Assim, podemos dizer que o Hoshin Kanri parte da construção de consenso em cima dos grandes problemas da empresa. Seu processo de desdobramento tem duas vias: a primeira, na qual as ambições e objetivos derivam da visão da liderança, e a segunda, na qual essa visão é questionada, incrementada e estruturada no que de fato acontece na operação, ou seja, no dia a dia das equipes que estão mais em contato com a resposta dos consumidores.

 

Design + Hoshin Kanri

Na nossa aplicação do sistema nos ciclos de planejamento da CI&T, sentimos a necessidade de tornar o processo como um todo mais ágil. Para isso, passamos a construir essa prática de gestão, articulando-a a elementos do Design.

 

cociacao

 

Assim, ampliamos o movimento de cocriação, fortalecendo a questão (onde todo mundo tem a mesma voz e, assim, pudemos desenvolver a inteligência coletiva).

Abrimos a possibilidade para o processo de divergência x convergência (conseguimos analisar vários pontos de um mesmo problema ou de uma solução, ampliando o nosso repertório).

E, a partir disso, geramos alinhamento entre todos e estimulamos a inclusão, já que, ao terem voz, as pessoas se sentem parte do processo decisório na busca pelo melhor caminho estratégico para a empresa.

Dessa forma, desenvolvemos uma nova dinâmica para a aplicação do Hoshin Kanri muito mais efetiva e veloz e ampliamos a capacidade das empresas de gerar melhores soluções para os seus problemas usando a inteligência coletiva. Um dos grandes aprendizados do processo que cabe dividir, aqui, é que não se deve buscar a solução perfeita - pois ela não existe. O propósito deve ser o de desenvolver a resposta mais ágil, mais adequada e melhor possível para a realidade da sua companhia.