A cultura do aprendizado e o papel da liderança

Por: Joceline Seixas

Homem negro ao centro, sorrindo, em uma sala de aula.
Posted on Apr 1, 2019

 

Ocorrido no dia 19 de março, em São Paulo (SP), o HSM HR Conference 2019, como de costume, foi um momento de grandes aprendizados. Esta edição, em especial, tratava do tema Employee Experience e me trouxe alguns insights valiosos que gostaria de dividir neste texto.  

Assistindo às palestras de Tracy Maylett, CEO da DecisionWise, e de Kelly Palmer, da Degreed, revisitei uma questão que venho me fazendo há algum tempo: por que as pessoas não aproveitam o aprendizado oferecido pelas companhias? Por que esse assunto é preterido? A riqueza de oportunidades de desenvolvimento disponibilizado em universidades corporativas ou treinamentos é imensa e acaba por ser pouco valorizada, tornando-se um desperdício de dinheiro e tempo por parte das empresas.

Quando analisadas as justificativas para esse baixo aproveitamento, temos muitas questões ligadas à falta de tempo ou à famosa procrastinação. Mas, sem dúvidas, existem causas raízes para isso, e algumas ficaram bastante claras durante as apresentações dos palestrantes citados e, depois, na sessão de perguntas de participantes do evento. Com os questionamentos, pude separar as quatro principais dores das empresas quando o tema é a oferta de desenvolvimento para os colaboradores. São elas:

 

1- Falta propósito em busca do aprendizado contínuo. Estudar por que e para quê? É a lógica do “Estou fazendo isso apenas porque meu chefe mandou.”

2 - Muitos colaboradores se queixam de não ter tempo para estudar em seu horário regular de trabalho. Além disso, há um tabu de que reservar tempo para isso não será visto com bons olhos por pares ou superiores.

3 - O exemplo não vem de cima. Em muitos casos, a liderança direta, o nível gerencial, executivos ou diretores também não se engajam em seus próprios processos de desenvolvimento e deixam de ser fonte de inspiração nesse tema.

4 - Não há um campo de jogo claro para a aplicação deste aprendizado, e o timming no qual se oferece a teoria está descasado da prática.

 

Levantadas as causas, o que se nota é a enorme oportunidade de uma atuação diferenciada das empresas, sobretudo na camada de liderança, frente ao engajamento nesse processo de aprendizado. Como isso pode ser feito? Eis alguns insights a fim de provocar reflexão sobre o tema:

 

Construa propósito

As lideranças têm em mãos uma excelente oportunidade de engajar seus times na busca pelo desenvolvimento e aprendizado por meio da construção de um propósito. Isso pode ser estimulado individualmente por um desenho de carreira, por exemplo, no qual a aquisição de uma nova habilidade abrirá novas frentes de oportunidades.

Outra maneira de gerar propósito individual é desenhar, de forma coletiva, um objetivo maior que faça sentido para um time. Aqui, deve haver clareza sobre o impacto positivo que esse objetivo pode trazer à equipe, ao cliente ou à empresa. Além de estimular o aprendizado conjuntamente, este modelo traz como resultado o fortalecimento do senso de pertencimento neste grupo.

 

Seja o exemplo

A liderança precisa ser o exemplo. Dos mais altos executivos à operação, o aprendizado deve ser contínuo para todos os níveis. A inquietude pelo conhecimento deve mover líderes, inspirar os demais colaboradores e colaboradoras, gerar reflexão, trocas e inovação. A empresa só tem a ganhar com pessoas cada vez mais curiosas e criativas.

 

Tenha clareza, objetividade e transparência

É necessário que as pessoas tenham clareza sobre o campo de atuação ou qual é o problema que o novo aprendizado pode ajudar a solucionar. Seja para resolução de uma dor do cliente, da própria empresa ou até mesmo para polinizar um novo conhecimento entre pares, por exemplo, líderes precisam ter objetividade e transparência na comunicação das expectativas em relação à contribuição individual, do impacto que ele trará com esta nova habilidade.  

 

Dê segurança

Para estimular a cultura do aprendizado, a pessoa precisa sentir segurança e ter apoio quando quiser estudar. Deve haver um estímulo à autogestão e à autonomia para que este estudo possa acontecer, inclusive em seu horário regular de trabalho. O tabu de que o aprendizado deve ser feito fora das 8 horas de jornada precisa ser derrubado.

Como visto, a liderança tem um papel crucial no engajamento; não só enquanto estímulo ao aprendizado, mas também como suporte para que ele aconteça.

No mercado digital, as empresas necessitam ter pessoas capazes de conceber o novo de forma conjunta e com velocidade. Não se pode mais ignorar a conexão evidente entre promover o aprendizado e ter pessoas mais preparadas, curiosas, inovadoras, criativas e engajadas. Fomentar o desenvolvimento constante é a chave para construir o futuro.

 

Sobre o HR Conference

O HSM HR Conference 2019 aconteceu no último dia 19 de março, em São Paulo (SP), e contou com 11 palestrantes nacionais e internacionais. Entre eles, Tracy Maylett - CEO da DecisionWise, consultoria focada em Employee Engagement -, que ministrou a palestra "The employee experience: como alcançar resultados por meio da atração e retenção de talentos", e Kelly Palmer - integrante da equipe executiva da Degreed -, que ministrou a palestra "O papel do RH na Expertise Economy". O evento também contou com nomes como Frederico Lacerda, Cofundador e CEO da Pin People; Jaques Haber, Sócio Diretor da Iigual; Andrea Schwarz, CEO da Iigual; Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work Brasil; e Patrick Lencioni, CEO e fundador da The Table Group.