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Lean Summit 2018: engajando pessoas na era digital

Por: CI&T Team

CI&T, Cielo e Itaú no Lean Summit
Posted on Jun 26, 2018

Tratando de um tema caro a todas as empresas no contexto digital, Aminadab Nunes, da CI&T, Sergio Saraiva, da Cielo, e Sérgio Fajerman, do Itaú, falaram sobre os novos horizontes do RH nos modelos de negócio do novo mercado.

 

"Precisamos ressignificar o propósito do RH.

Antes focado em engajar pessoas, hoje em destravar potenciais."

Aminadab Nunes


 

Essa frase dita na plenária "Engajando pessoas na era digital", do Lean Digital Summit 2018, pelo VP de Operações e Pessoas da CI&T, resume o grande desafio das áreas de RH e das empresas no novo contexto digital. Com o mote "Transformar o Mundo Resolvendo Problemas", o evento - maior encontro da comunidade Lean no Brasil - passeou por diversas temáticas, como estratégia, liderança, sistemas de gestão, inovação, transformação digital e processos, mas todos eles confluíam, de alguma forma, para o mesmo gargalo: a urgência de transformar a cultura, a necessidade de assumir o novo mindset digital.  

Nessa plenária sobre gestão de pessoas, tendo como ponto de partida a experiência de transformação das empresas e de cada um dos três executivos painelistas para o pensamento Lean, os espectadores puderam adquirir grandes aprendizados sobre os passos, acertos e erros em cada uma das jornadas apresentadas.

"Antes, trabalhávamos de forma tradicional, comando e controle, tínhamos uma grande dificuldade de aceitar erros. A questão burocracia X autonomia em um banco é muito difícil. Mudar a cultura, compartilhar decisões é difícil no nosso contexto", disse Sergio Fajerman, Diretor Executivo de RH do Itaú Unibanco, lembrando de um dos principais princípios do Lean, o de que problemas são ouro, ou seja, grandes oportunidades de aprendizado e melhoria. Esse novo olhar em direção às falhas, inclusive, foi destacado pelos três como um dos mais difíceis de assimilar da cultura Lean para qualquer contexto empresarial, mas também o mais fundamental para alcançar agilidade e melhoria contínua essenciais ao digital.

"A necessidade de evitar riscos, o comando e controle, deixa marcas na gente. (...) Antes, o nosso gestor era, como eu costumo brincar, um ditador benevolente. Ele ouvia as opiniões, agradecia, mas impunha a sua", disse Aminadab Nunes, citando o modelo de gestão que a CI&T praticava no início das suas operações e sob o qual muitas empresas ainda funcionam.

Ao fechar-se em previsibilidade, aversão a riscos e rigidez hierárquica, esse modelo de operação mata a possibilidade de inovação, pois contamina o comportamento dos colaboradores e líderes e limita sua atuação ao já conhecido.

O novo propósito da empresa é o "atender às necessidades do consumidor", não mais o "construir o produto que as lideranças acreditam ser o perfeito". E, para isso, o RH dos novos tempos digitais precisa direcionar suas atividades para apoiar a empresa no processo de destravar potenciais, trazer novas ideias para a mesa, realizar experimentos em busca do novo, do melhor, e trabalhar colaborativamente para isso. Só assim é possível atingir a velocidade e a agilidade no acerto e difundir a nova forma de atuar na empresa.

"A mudança cultural é inevitável. (...) O momento é de mudar o modelo e a cabeça. Precisamos fazer diferente, precisamos ter vontade de mudar. Temos que construir uma empresa grande com alma de startup e empoderar as pessoas para que elas tomem decisões", disse Sergio Saraiva, VP de Desenvolvimento Organizacional da Cielo. Sergio afirma que as empresas que não acelerarem seus processos de transformação e as área de RH que não assimilarem suas novas funções nesse contexto estão com os dias contados.

E, para realizar essa transformação que passa pela cultura da empresa, é necessário assumir com urgência uma mentalidade Lean. De acordo com os três palestrantes, o Lean - e suas ferramentas como o A3, o Plan Do Check Act (PDCA) e o Gemba - foi o ponto de partida para que a mudança acontecesse de fato e de forma sustentável dentro do RH e se espalhasse, pouco a pouco, pela empresa como um todo.

"O Lean trouxe o olhar sobre o que são as reais prioridades. Procurar os principais problemas do negócio - e do consumidor -, criar hipóteses de solução e testá-las rápida e continuamente em busca do melhor são as chaves para o sucesso no RH e em toda a empresa. (...) E a alavanca da mudança cultural é, sem dúvidas, o ferramental Lean, além de processos de gestão visual e design. Não se muda a cultura sem isso", afirmou  Aminadab Nunes, reforçando a necessidade de extrapolar a importância do Lean para além do RH. "O A3, por exemplo, consegue conectar o RH com o negócio. Agora, ao invés de ser o RH que empurra ideias, você consegue que ele seja puxado pela necessidade das pessoas, dos colaboradores. A demanda dos clientes mudou com o digital. De todos, inclusive dos clientes internos, dos clientes do RH. Hoje, eles pedem outras coisas além de tecnologia a velocidade", disse Amin.

"Antes, a área de produtos de RH era especialista em produtos, não em nossos clientes. Fazíamos projetos lindos, mas que não atendiam às necessidades reais. Começamos a perceber que a qualidade das entregas estava caindo. E começamos a pensar na experiência do consumidor em primeiro lugar. Em fazer o que realmente atenderia o nosso cliente, e isso trouxe resultados rápidos e incríveis em termos de satisfação e produtividade de todos os envolvidos", contou Sergio Fajerman.

Os três palestrantes destacaram, também, a importância da mudança começar pelos líderes. De realizar uma profundo trabalho de imersão das lideranças no Lean para que, além de encaixarem-se no novo processo de operação que se deseja, eles sejam bons exemplos a ser seguidos. "O modelo mental Lean é para a vida. Fazer perguntas, estudar causas, aprofundar-se em problemas, fazer PDCA extrapola a sua atividade na empresa e acaba transformando a sua forma de ver as coisas", disse Sergio Saraiva sobre o impacto extremamente positivo do Lean nas pessoas e, consequentemente, nas empresas.

A seguir, destacamos os principais conselhos dos três altos executivos.

 

Como começar

Sergio Fajerman: "O que nos ajudou muito foi levar o nosso presidente para conhecer a CI&T e ver a forma como eles trabalham. (...) O CEO ter um entendimento do Lean e apoiar a jornada de transformação é fundamental."

Sergio Saraiva: "É importante começar por atacar problemas simples e rápidos que conseguem causar mais impacto entre os clientes e funcionários."

Aminadab Nunes: "Estimular novos comportamentos por meio de novos processos é a única forma de transformar o mindset. As dificuldades iniciais podem ser vencidas com processos de A3, cocriação e design. As pessoas precisam internalizar essa nova maneira de entender o trabalho."

 

Os maiores desafios

Sergio Fajerman: "Autonomia e tolerância ao erro é uma mudança que toda a empresa vai ter que passar e é o maior desafio."

Sergio Saraiva: "Todas as áreas e todas as empresas estão sendo impactadas, não podem ficar inertes. E o desafio de mudar de mindset é igualmente difícil para todas."

Aminadab Nunes: "É preciso aprender a desaprender e reaprender. Os processos de RH, os modelos de incentivo que funcionavam há três anos, hoje, estão mortos. Revê-los o tempo todo à luz das necessidades do negócio, das necessidades dos clientes internos e externos é fundamental."

 

Sobre o evento

O Lean Summit 2018 aconteceu nos dias 5 e 6 de junho, em São Paulo (SP), sob o tema "Transformar o Mundo Resolvendo Problemas" e contou com 25 plenárias com 60 palestrantes, entre eles: John Shook, um dos principais pensadores da comunidade Lean no mundo, Executive Chairman do Lean Enterprise Institute; James Womack, fundador e Senior Advisor do Lean Enterprise Institute; Art Smalley, Lean Leadership Expert; e Orry Fiume, renomado autor Lean.

Além desses ícones do Lean mundial, os espectadores puderam assistir a apresentações de altos executivos das maiores empresas do Brasil e do mundo, como Cesar Gon, CEO da CI&T; Cecilio Fragas, Superintendente de TI do Itaú; Raoni Lotar, Senior Marketing Manager da Coca-Cola; Jorge Marquesini, VP Industrial da Volvo Latin America; Pedro Afonso, Diretor de Tecnologia de Operações da Mercedes Benz; Marcelo Santos, Head of Continous Improvement da Nestlé; e Wagner Barbosa, Diretor de Manufatura Brasil e Engenharia da Tigre.

O evento contou, também, com visitas virtuais, talks e outras atividades que permitiram aos participantes um mergulho no mundo e nas práticas Lean aplicadas ao contexto digital.