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Lean Summit 2018: Lidere integrando novas práticas e tecnologias

Por: CI&T Team

Lean Summit CI&T, Coca e Itaú
Posted on Jun 26, 2018

Em um aguardado painel sobre o modelo de gestão para o novo ambiente do mercado, Cesar Gon, CEO da CI&T; Raoni Lotar, da Coca-Cola, e Cecilio Fragas, do Itaú, discutiram os aprendizados e os desafios de ser um líder digital.


 

O novo ambiente de mercado, que impõe às empresas o modelo de operação digital, exige das lideranças a adoção de um novo mindset. Isso porque a questão envolve, sim, a implementação de novas tecnologias e novos processos de trabalho, mas, sobretudo, uma nova forma de atuação dos gestores voltada para a colaboração, a agilidade e o foco no consumidor. Esse foi o cerne do debate na interessante plenária "Lidere integrando novas práticas e tecnologias", que aconteceu no Lean Summit 2018, com as presenças de Raoni Lotar, Senior Marketing Manager da Coca-Cola; Cecilio Fragas, Superintendente de TI do Itaú Unibanco, e de Cesar Gon, CEO da CI&T, responsável pela condução dos processos de transformação digital das duas anteriores.

No palco, os três painelistas contaram como iniciaram - e estão se desenvolvendo - as jornadas rumo ao modelo de operação digital das empresas, todas com sólidas histórias de sucesso baseado na previsibilidade e na aversão ao risco. "Éramos Slow by design, nas palavras de César (Gon, da CI&T) e Amin (Aminadab Nunes, CI&T), então resolvemos criar times ágeis. Mas esses times acabavam isolados e faltava um propósito, uma conexão com o restante da empresa", contou Cecilio Fragas relembrando as dificuldades do início do processo de transformação digital do Itaú.

De acordo com Cecilio, a empresa caiu no erro - muito comum no mercado - de criar laboratórios de inovação seguindo metodologias ágeis, com equipes multidisciplinares e ciclos curtos de experimentação e aprendizado no desenvolvimento de novos produtos, inspirados nas startups. Essas equipes, apesar de terem bons resultados, não tiveram repercussão no entorno e as práticas que conquistavam não eram escaláveis na empresa.

"Além disso, a gente era jump to solution", afirmou Cecilio, ressaltando que a empresa não pensava nos problemas como oportunidades, um mindset tão necessário para o sucesso no digital.

Como a maioria das companhias, ao se deparar com dificuldades, os líderes tomavam para si a responsabilidade exclusiva de decidir quais seriam as medidas a serem adotadas, sem refletir sobre as causas dos problemas e nem sobre as novas possibilidades de negócio que poderiam surgir a partir deles. "Os líderes tínham que saber tudo. (...) Isso é um desrespeito com as pessoas e com os conhecimentos que elas têm", disse ele, complementando que as melhores soluções só podem nascer de uma discussão profunda entre todos os colaboradores e líderes envolvidos.

De acordo com os três executivos, a filosofia de gestão Lean foi a chave para a conquista - e para o reforço constante - dessa nova forma de atuar voltada para a colaboração e cocriação e com a visão de que "problemas são ouro" nas empresas. Além disso, todos apontaram para a necessidade da imersão dos líderes nesse novo mindset e falaram sobre como, da perspectiva pessoal, essas mudanças impactaram seu dia a dia.

"Para mim, o desafio central é como transferir autonomia para os ambientes de trabalho", disse Raoni Lotar, focando na dificuldade de reaprender a liderar para o novo formato. Para ele, o primeiro passo deve ser o de abrir mão das antigas práticas de "comando e controle" e compartilhar com as equipes as tomadas de decisões que digam respeito a seu objeto de trabalho. Sobre o mesmo tema, Cecilio Fragas disse que o Itaú tem colhido grandes resultados com essa nova forma de pensar sobre a operação. "Caiu a ficha de que o processo era de todos, que todos poderiam fazer melhorias e conseguimos ganhar escala no novo formato", afirmou Cecilio.

Quando essa barreira é derrubada, e os líderes e as equipes conquistam essa atuação Lean, as pessoas sentem-se confiantes para experimentar, desenvolvem suas capacidades e as equipes se encontram mais aptas a inovar.  "Para evoluir sempre, temos que estimular a transformação das pessoas", disse Cecilio.

"É um forte inspirador para os times", concorda Raoni Lotar. Acrescentando que unificar o propósito das equipes e o foco da empresa traz resultados rápidos para o negócio. "É impressionante o poder de ter um objetivo e um problema claro", afirmou.

 

Lean Digital

O novo ambiente, no entanto, exige além do Lean. A necessidade é de criar articulações entre os fundamentos do Lean e a agilidade e a velocidade do digital, seus ciclos curtos de experimentação e aprendizado, que estão desenhados na metodologia Agile. "Minha tese é que o Lean e o digital são indissociáveis no século 21 tanto para as empresas, quanto na perspectiva de liderança e na sociedade", disse César Gon, CEO da CI&T.

Para Cesar, a busca pela melhoria contínua com velocidade em direção às necessidades do consumidor são a base para a construção do sucesso no digital. Porém, como bem coloca o processo de MVP (Minimum Viable Product) da metodologia Agile, a velocidade não deve ser apenas na atenção ao cliente. Para ser sustentável, o modelo de operação deve buscar o desenvolvimento de produtos e experiências completas que tragam retorno substancial a curto prazo e aprendizados a longo prazo para novos saltos de inovação. "Para ter sustentabilidade, você tem que fazer o balanço entre o longo e o curto prazos, entre o power e a performance. O power é o que estamos gerando de aprendizado para resultados futuros e a performance é o que está gerando resultados por quarter", afirmou.

 

Ferramentas e práticas

Sobre as ferramentas e práticas do Lean Digital que apoiam as jornadas do Itaú, da Coca Cola e também da própria CI&T rumo a sua constante evolução digital, os três executivos destacaram a ferramenta do Lean A3, além do PDCA (Plan Do Check Act), Design Thinking e OKRs (Objectives and Key Results).

 

Sobre o evento

O Lean Summit 2018 aconteceu nos dias 5 e 6 de junho, em São Paulo (SP), sob o tema "Transformar o Mundo Resolvendo Problemas", e contou com 25 plenárias com 60 palestrantes, entre eles: John Shook, um dos principais pensadores da comunidade Lean no mundo, Executive Chairman do Lean Enterprise Institute; James Womack, fundador e Senior Advisor do Lean Enterprise Institute; Art Smalley, Lean Leadership Expert; e Orry Fiume, renomado autor Lean.

Além desses ícones do Lean mundial, os espectadores puderam assistir a apresentações de altos executivos das maiores empresas do Brasil e do mundo, como Sergio Fajerman, Diretor Executivo de RH do Itaú Unibanco; Sergio Saraiva, VP de Desenvolvimento Organizacional da Cielo; Aminadab Nunes,  VP de Operações e Pessoas da CI&T; Jorge Marquesini, VP Industrial da Volvo Latin America; Pedro Afonso, Diretor de Tecnologia de Operações da Mercedes Benz; Marcelo Santos, Head of Continuous Improvement da Nestlé; e Wagner Barbosa, Diretor de Manufatura Brasil e Engenharia da Tigre.

O evento contou, também, com visitas virtuais, talks e outras atividades que permitiram aos participantes um mergulho no mundo e nas práticas Lean aplicadas ao contexto digital.