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O desafio de liderar na era da transformação digital

Por: Jefferson Almeida

Em frente a um quadro, uma mulher aponta para algo afixado nele, mostrando para dois homens que estão a sua volta.
Posted on Feb 27, 2020

O que você vai ler aqui:

  • Os diferentes tipos de liderança
  • Qual é o melhor tipo de liderança para momentos de crise?
  • Qual é o tipo de liderança que mais se encaixa em uma transformação digital?


 

Estamos vivendo a era da digitalização de produtos e serviços, quando empresas e pessoas estão cada dia mais acostumadas a resolver necessidades e desejos por meio da tecnologia de forma ágil e cada vez mais satisfatória. Quem imaginaria, há alguns anos, o quão descomplicado seria, hoje, pedir comida, um táxi, compartilhar um carro, realizar operações bancárias, assistir um filme determinado onde e quando desejar e até mesmo encontrar o crush? Hoje, tudo isso está na palma das nossas mãos. Se a experiência A não for suficientemente boa, em um segundo, troco para a B. Simples, rápido, sem ônus. 

 

Sem dúvidas, isso está criando uma corrida das grandes e bem-sucedidas empresas tradicionais em busca de criar novas ofertas para não perder espaço no mercado. Não é novidade para elas que as startups podem, sim, abocanhar sua fatia de mercado. Segundo dados levantado na Startupbase, uma base de dados sobre o ecossistema brasileiro de startups, atualmente, existem cerca de 12.800 startups no Brasil, distribuídas em vários segmentos, como bancário, varejo, educação e até mesmo construção civil.

 

Este ambiente tão acelerado acaba exigindo que todas as companhias entrem na era da transformação digital. Porém, as equipes dentro das organizações são formadas por pessoas de gerações muito diferentes, com vivências diferentes e níveis muito diversos de familiaridade - e conforto - em relação ao ambiente digital. O que quero dizer com isso? Que, claramente, Baby Boomers, geração X, Millenialls (Y) e Z têm diferentes linguagens para tratar do que, hoje, é um tema core nos negócios. Nesse cenário, será que as empresas e líderes têm o preparo necessário para conduzir um diálogo que permita o consenso em relação a objetivos e visão de futuro (e de presente)?

 

Líderes que sua companhia precisa

 

Existe muita literatura para falar sobre diferentes tipos de gestão, como autocrática, democrática, servidora e líderes coach, também chamados de líderes digitais, Na liderança autocrática, as decisões estão concentradas em uma pessoa. Inicialmente, ela pode trazer alguns bons resultados com base em uma experiência sólida. Porém, em um ambiente tão volátil, essa experiência - ou o que era efetivo no passado - não tem valor em longo prazo. Além disso, esse estilo de gestão acaba gerando conflitos no processo de formação de equipes, pois alguns perfís, como as gerações mais novas, não aceitam bem ordens sem possibilidade de questionamento ou diálogo. Profissionais mais sêniores, por sua vez, se desmotivam quando suas funções se resumem a mera execução. 

 

No caso da liderança democrática, ela tende a compartilhar a responsabilidade sobre a resolução de problemas e as decisões são tomadas com a colaboração de membros do time. Esse estilo de liderança costuma engajar o time. Mas, se for aplicada a uma equipe que não tenha muita experiência, pode resultar em desperdício de tempo ao gerar dificuldades para chegar a consensos. E se a equipe for formada por níveis muito diferentes de senioridade, também poderá inibir mais jovens a expressar sua opinião.

 

Ambos tipos de liderança se mostraram anacrônicos para lidar com a realidade do digital que, além de colaboração, precisa gerar trocas genuínas de ideias e agilidade.

 

Já o perfil de liderança servidora é aquele que ganhou notoriedade com o lançamento do livro “Monge e Executivo”, em 2004, e que é composto por muitos dos comportamentos que, hoje, admiramos em líderes: são presentes, conseguem escutar as necessidades do time, compreendem os problemas, ensinam, compartilham experiências e têm potencial de persuasão. Lideranças servidoras têm um papel de mentoria do time, puxando-o e o direcionando quando o problema se apresenta. Ao contrário da autocrática, constrói a solução juntamente com o time. O que a diferencia da puramente democrática, por sua vez, é a capacidade de compreender diferenças entre membros do time e trabalhar com elas.

 

Todas essas características parecem se encaixar perfeitamente com as necessidades de uma transformação digital, mas será que esse perfil está preparado para realizá-la? Diria que em determinados momentos, como em cenários caóticos de crise - quando surge um problema que precisa de uma solução imediata - ela se encaixa perfeitamente. Porém, não é suficiente para abarcar outras exigências do digital, como a formação de equipes prontas para experimentar e aprender com velocidade, para a melhoria contínua. 

 

Isso porque, se a liderança trabalha com foco em mentoria, tende a criar um bloqueio criativo na equipe, que acaba por ficar dependente de seu direcionamento. Se a última palavra sempre é da pessoa que atua como mentora, o time não desenvolve autonomia suficiente para que a operação ganhe a agilidade necessária no ambiente digital.  

 

Exatamente por isso, na minha opinião, o perfil mais completo para enfrentar a era da transformação digital é de líder coach, ou, como chamamos aqui na CI&T, líder Lean Coach. 

 

Mas o que seria líder Lean coach? É quem tem como pilares os princípios da filosofia de gestão Lean, como a melhoria contínua, a visão clara de que problemas são oportunidades e a colaboração. Além disso, tem bases do coaching, como a busca pelo autoconhecimento e pelo autodesenvolvimento de habilidades e competências. Exercitando extrema empatia, líderes Lean Coach procuram extrair o melhor de cada pessoa e da equipe como um todo, potencializando sua performance. Ao invés de apontar caminhos, ou até mesmo exercer um papel de mentoria na resolução dos problemas, trabalha com seu time fomentando discussões, gerando clareza sobre os problemas, permitindo que o time crie possibilidades de solução de forma independente e entre em ação.

 

Esse estilo de liderança não dá respostas, tem como principal objetivo desbloquear o potencial das pessoas e fomentar mentes criativas, capazes de solucionar problemas de maneira mais eficiente e autônoma. O resultado? Ambientes realmente mais colaborativos, maior engajamento de profissionais, equipes capazes de potencializar suas habilidades, inovar e gerar mais impactos positivos para os negócios e para os clientes.

 

Porém, como já dito, em cenários que exigem medidas urgentes e emergenciais, líderes precisarão assumir uma postura mais de mentoria, direcionando as respostas e os caminhos de solução. Logo, temos que concordar que devemos ponderar as características e limites de cada modelo e saber quando é hora de acionar um ou outro. Isso vai depender do contexto do mercado, da realidade momentânea da empresa, da maturidade digital dos times e do apetite pelo risco.

 

E aí, qual é o modelo de liderança que sua companhia está precisando agora?