O que aprendemos no novo mundo: como potencializar pessoas e empresas

Por: Time CI&T

Foto de perfil de uma pessoa em frente a um notebook, em uma videoconferencia com 4 outras pessoas.
Posted on Jun 8, 2020

 

O que você vai ler aqui:

  • A aceleração das incertezas: cinco anos em dois meses

  • Quatro pilares da sobrevivência no novo mundo

  • Como começar na sua companhia 

 

Há poucos meses, o assunto era como acelerar companhias para acompanhar as mudanças nos padrões de consumo, no comportamento dos clientes e na dinâmica do mercado com o crescimento - já vertiginoso - das possibilidades trazidas pelo digital. Empresas nascentes e mesmo novos modelos de negócio adotados por grandes empresas digitais balançavam certezas de sólidas companhias, que se viam na necessidade de aprofundar cada vez mais seus processos de transformação digital. 

 

Hoje, essa realidade, que já era veloz, acelerou ainda mais e a incerteza sobre o amanhã passou a ser a certeza do dia. E quem quiser sobreviver no mercado não deve paralisar-se em análises detalhadas do momento atual para tentar elaborar planejamentos com base no que valia no passado e que não existe mais. É hora de partir para a ação, e a melhor forma de começar é esquecer velhas práticas e mirar nas necessidades do consumidor, adotar a verdadeira centralidade no cliente. 

 

"O sucesso da maior parte das empresas foi construído, principalmente, do lado da produção, da distribuição, da comunicação. Hoje, elas precisam, efetivamente, mirar no engajamento, no entendimento de experiências e nas jornadas do consumidor."

Amin Nunes, Partner da CI&T

 

Se a sociedade se move aceleradamente na esteira da crise pela qual estamos passando, é papel das companhias acompanhar e entender esses movimentos para entregar experiências que atendam às novas necessidades de seus clientes na velocidade em que elas surgem.

 

"As mudanças que não aconteceram em cinco anos, estamos vendo acontecer em dois meses. Hoje, as pessoas estão usando o digital para absolutamente tudo. Para se relacionar, para se divertir, para trabalhar. Essas mudanças já no mostram um pouco do que será o famoso novo normal, mas não sabemos exatamente o que permanecerá nos nossos hábitos e o que desaparecerá quando sairmos desse período mais rígido de isolamento. Então, é muito difícil prever o futuro. Essa imprevisibilidade vai caminhar com a gente por um tempo, e temos que estar prontos para ela."

Solange Sobral, Partner da CI&T  

 

Mas como estar preparado para lidar com essa velocidade e com essa imprevisibilidade? Em recente podcast com mediação de nosso CSO, Bob Wollheim (ouça neste link), os partners da CI&T, Amin Nunes e Solange Sobral, dividiram preciosos insights e conhecimentos recém-extraídos das experiências da companhia e de nossos clientes frente à nova realidade, capazes de responder essa questão. Deste bate papo, extraímos alguns pontos valiosos que podem auxiliar a sua empresa a mirar no caminho certo. Vamos a eles.

 

Os 4 pilares da sobrevivência no (novo) novo mundo

Acompanhando nossos clientes desde o início de suas jornadas de transformação digital e enfrentando com eles os inúmeros desafios e oportunidades trazidos pelo atual momento do mercado, Amin e Solange destacam quatro pilares capazes de sustentar as companhias e fazê-las prosperar, mesmo em meio à adversidade. 

 

1. Inovar - A necessidade número um é a de desenvolver uma mentalidade de inovação. Para isso, é preciso aproveitar as capacidades das suas pessoas, abrir-se à colaboração, à troca de idéias e à construção da inteligência coletiva. É o poder dessa inteligência que será capaz de descobrir novos caminhos, de criar o novo para entregar experiências cada vez mais satisfatórias para os clientes. 

 

"As grandes histórias que estou vendo claramente falam em inovação. Elas têm caráter de ineditismo, de criar algo que não existia. E a maior dificuldade neste momento está aí. Isso parte de uma visão estratégica voltada para o consumidor, voltada para o lado da demanda."

Amin Nunes

 

"O que tira as empresas dessa crise é essa capacidade de inovar e se adaptar muito rapidamente, mesmo nesse período de incerteza. As empresas que estão, hoje, bem posicionadas estão ali porque apostaram em inovação, enquanto outros, de repente, olharam só para dentro, preocupados apenas com seu P&L." 

Solange Sobral

 

2. Construir a antifragilidade - Ligada à capacidade de inovar, está a de se adaptar com velocidade. Para além da resiliência, a antifragilidade é a habilidade de voltar mais forte a cada obstáculo enfrentado, aprendendo constantemente. 

 

"Um pilar realmente importante é a construção da antifragilidade. Ela traz questões-chave, como uma capacidade de autoaprendizado veloz, de escalar o aprendizado corporativamente para ter uma velocidade muito rápida de resposta."

Solange Sobral

 

Essa velocidade de resposta e a construção da antifragilidade também dependerão de uma estrutura corporativa diferente da tradicional, de um modelo de operação mais ligado à colaboração, com times autônomos e multifuncionais, as chamadas squads.

 

"Se você não tem autonomia na ponta, nas equipes, se você não tem descentralização nas tomadas de decisão, se você não tem confiança nas suas pessoas, você não terá a velocidade que necessita."  

Solange Sobral

 

3. Aprender a trabalhar com escassez e priorizar - Encarar o momento como um tempo de escassez faz, naturalmente, com que as companhias busquem usar da sua criatividade para encontrar caminhos diferentes. E isso é uma grande alavanca para destravar a inovação e construir a antifragilidade. 

 

Encontrar oportunidades trabalhando no "modo escassez" é uma das premissas da filosofia de gestão Lean, um dos principais fundamentos da nossa companhia. Com o Lean, aprendemos a priorizar o que é realmente importante para nossos clientes e operar de maneira puxada, ou seja, produzindo apenas o necessário. Com esse foco, o Lean nos ensina a trabalhar sempre em busca da melhoria contínua de processos, produtos, serviços, reduzindo ao máximo os desperdícios. 

 

"Estamos, agora, em um momento de escassez, e, olhando um pouco para nossa vivência com o Lean, é na escassez que extraímos nossa melhor inteligência. Um momento de escassez coloca as empresas na necessidade de, de fato, pensar nas suas principais opções e investir no que faz o maior sentido do ponto de vista do seu consumidor. É uma grande oportunidade para quebrar estruturas departamentalizadas e modelos mentais para fazer algo diferente. O instinto de sobrevivência bate mais rápido quando você tem a escassez."

Solange Sobral 

 

4. Aprender a fazer apostas e correr riscos - Para agir frente a incertezas, é preciso aprender a correr riscos, experimentar. E experimentar em ciclos curtos, com velocidade, buscando atender os clientes da melhor forma e de maneira contínua. 

 

"Estamos falando de mudar o modelo de operação e aprender a experimentar com ciclos curtos de entrega de valor, olhando sempre para a resposta do cliente. É o build, measure e learning. É colocar isso na prática, não é brincar de inovar. É, de fato, criar um modelo de operação onde você quebra os seus silos, quebra os seus ciclos de produção e coloca o seu cliente, de fato, no centro do ciclo rápido de experimentação e aprendizado."

Solange Sobral

 

Porém, é preciso criar uma cultura de experimentação, na qual o foco não esteja apenas em estender o core da companhia, mas em realmente inovar, em fazer apostas. De novos modelos de negócio, de novas maneiras de trazer soluções para as dores dos seus consumidores. Para isso, é fundamental contar com o envolvimento do board. CEO, altos lideranças, o conselho têm que participar ativamente deste redesenho.

 

"Navegar na incerteza não está entre as práticas das companhias, não está no processo de governança. A maioria delas não costuma ter conversas a respeito e também não sabe como é que se constrói clareza em um cenário de incertezas. Mas isso é fundamental. Quais são as apostas que nós estamos fazendo aqui? O que isso vai nos dar no futuro? Qual é nosso objetivo audacioso, interessante de construir tanto para gente quando para os consumidores? As companhias nas quais os CEOs e os conselhos estão mudando a governança do processo de identificar opções estratégicas são as que têm essas histórias sendo desenhadas de maneira mais clara."

Amin Nunes

 

Como começar


Como já sinalizado, esses pilares, essa nova forma de pensar e atuar, devem estar apoiados em novos ambientes corporativos voltados verdadeiramente à colaboração, mirando na construção da inteligência coletiva. Para isso, é necessário mudar estruturas organizacionais, quebrar silos e preparar as lideranças para um novo modelo de gestão, mais horizontal, humanizado e aberto à construção coletiva. 

 

"Se eu tivesse que dar uma dica de como começar, é isso, aproxime-se das suas pessoas, exercite essa liderança mais humanizada. Olhe a sua empresa como uma soma de inteligências e comece a entender o que você extrai dessa inteligência. São essas pessoas que vão fazer o shift, são essas pessoas que vão fazer a mudança. E a partir daí, todo o resto que falamos, o aprendizado, a criatividade, o espírito para tomar riscos virão naturalmente."

Solange Sobral

 

São mudanças profundas, sim, mas são elas que construirão os caminhos para que sua companhia sobreviva no (novo) novo mundo. A boa notícia é que isso não deve ser feito de uma vez, e sim de forma gradual. Prepare suas lideranças, suas pessoas para a mudança de olhar, para a experimentação e inovação. 

 

É hora de fazer suas apostas! Escolha uma linha de inovação e crie hipóteses de solução para as principais dores dos seus consumidores. Priorize quais têm mais chances de trazer impactos positivos tanto para os clientes quanto para a companhia. Depois, instale equipes multidisciplinares e autônomas, capazes de trabalhar nessas soluções de ponta a ponta, em ciclos curtos de entrega, validação e melhoria contínua. Aos poucos, de forma sustentável, esse modelo vai ganhando escala dentro da companhia. 

 

"Não estamos falando que as empresas têm que mudar 100% do que elas fazem, estamos falando que, ao mesmo tempo em que você inova, você tem que proteger os consumidores que você já tem, os serviços que você presta, os seus compromissos etc. Mas há um percentual que deve ter uma governança distinta, uma governança de inovação, mapeando continuamente quais são as novas opções estratégicas, avaliando continuamente as que optamos investir. Quais delas estão produzindo resultados e gerando tração? Quais é melhor pivotar e eleger outra opção com base no que a gente aprendeu no período? As empresas onde eu vejo esse mapeamento de opções estratégicas têm um campo muito mais fértil para suas equipes trabalharem. Têm muito mais potencial." 

Amin Nunes

 

Para ouvir o bate papo entre Amin Nunes, Solange Sobral e Bob Wollheim na íntegra e aprender mais sobre os melhores caminhos para enfrentar este (novo) novo mundo, acesse o nosso podcast.