Pensando além da crise: estratégia e liderança pós-pandemia

Por: Time CI&T

Foto das mãos de três pessoas em torno de um jogo lúdico, formado por blocos de madeira empilhados em grupos de 3 peças alternadas. A foto representa a tentativa de não derrubar a pilha ao tirar as peças gradativamente.
Posted on Sep 18, 2020

O que você vai ler aqui:

  • Construindo uma estratégia para lidar com o novo mundo
  • Lean Digital: uma poderosa metodologia de transformação
  • A nova liderança 


 

"Hoje, a principal questão para as companhias grandes e bem-sucedidas é como elas devem reagir a essa tempestade digital." 

Cesar Gon, fundador e CEO da CI&T

 

Estamos passando por uma grande crise, um ponto de inflexão na história moderna, que traz profundas mudanças na maneira de viver e no comportamento das pessoas. Isso traz seus reflexos em todos os cenários - social, político e econômico -, afetando em grande medida o funcionamento das organizações mais tradicionais. Grandes companhias que, até então, tinham certa clareza do campo de jogo e adaptavam-se gradualmente às mudanças do digital tiveram que redirecionar totalmente modos de operar em poucas semanas e assumir transformações profundas em poucos meses.  

 

Acompanhando clientes nesse processo de redirecionamento tão abrupto e movimentando nossa própria operação que, há anos, tem uma sólida estrutura digital, entendemos quais são os caminhos mais bem-sucedidos e seguros para seguir em direção ao futuro. Com base nesse entendimento, nosso fundador e CEO, Cesar Gon, e nosso CSO, Bob Wollheim, gravaram um podcast (disponível em inglês), no qual analisam e refletem sobre o atual momento, alicerçados nos aprendizados consolidados em nossos 25 anos de história e com olhar para o futuro. 

 

De acordo com Cesar, há duas perspectivas essenciais que devem embasar os esforços das companhias: um redirecionamento estratégico, que deve ser flexível e constantemente reavaliado, e um novo modelo de liderança

 

Construindo uma estratégia para lidar com o novo mundo

 

"A mudança de comportamento dos consumidores acelerou inesperadamente, ampliando a lacuna que já existia entre as entregas das empresas e esse consumidor. E isso abriu um grande espaço para a inovação disruptiva."

Cesar Gon

 

Falando sobre a necessidade de aproveitar as oportunidades que o momento traz e construir uma estratégia focada em crescimento e inovação disruptiva, Cesar trouxe o modelo de evolução das companhias cunhado pelo autor e professor Clayton M. Christensen. Segundo esse modelo, as empresas crescem impulsionadas por três focos estratégicos diferentes e graduais: 

 

1 - Melhoria contínua do core business - que seria aprimorar processos, produtos e serviços já existentes.  

2 - Expandir o core business para novos consumidores - ou utilizar estratégias de marketing e do Design para atingir um novo target. 

3 - Criar opções realmente disruptivas para o futuro - ou modificar modelos mentais e modos de operar das companhias para colocar o consumidor no centro das estratégias. 

 

A maioria das companhias foca 70% a 80% dos seus investimentos na primeira estratégia, esperando resultados de curto prazo. Deixam 10% a 20% para a segunda iniciativa, com o objetivo de colher frutos entre dois e cinco anos. Para as iniciativas mais disruptivas, reservam, no máximo, 5% dos seus esforços e orçamento, considerando resultados em cinco a 10 anos. 

 

"Acho que há uma nova forma de olhar para a estratégia no mundo digital atual. É necessário correlacionar tecnologia com uma base de inovação. A ideia deve ser investir mais na terceira iniciativa, focando em tirar vantagem das novas tecnologias e novas oportunidades e para construir disrupções agressivas na frente de seus competidores." 

Cesar Gon

 

Segundo Cesar, uma maneira de começar a adotar essa nova abordagem é classificar o que sua companhia está fazendo em termos de assumir riscos. A necessidade é de testar, arriscar-se em novas estratégias de marketing, em novas tecnologias e, principalmente, em novas formas de entregar valor para os consumidores. 

 

"Se você olhar para companhias icônicas, como Netflix. Airbnb e Uber, é fácil notar que, provavelmente, no primeira momento da história, essas companhias se tornaram dominantes focando nas duas últimas iniciativas."

Cesar Gon


 

E justamente com esse olhar de entregar cada vez mais valor à clientes de formas novas e surpreendentes que apoiamos as grandes companhias nos seus processos de transformação digital. A base dessas jornadas é uma metodologia que desenvolvemos e que une os princípios da filosofia de gestão Lean com as ferramentas, práticas e processos do Agile e do Design. É o Lean Digital. 

 

"O Lean Digital é a combinação de disrupção em termos de uso agressivo de dados, Design e tecnologia com a disciplina da liderança e do e do mindset Lean."

Cesar Gon

 

Lean Digital: uma poderosa metodologia de transformação 

Acompanhando nossos clientes e observando o mercado, aprendemos que as jornadas de transformação digital nas empresas mais tradicionais dependem, basicamente, da reformulação de três pilares: os processos de desenvolvimento de produtos digitais, o sistema de gerenciamento e a forma de liderar

 

Utilizando os princípios e ferramentas do Lean Digital, é possível reformular essas três perspectivas de uma forma gradual, consistente e sustentável. Para saber mais sobre essa metodologia, você pode acessar os conteúdos sobre o tema no nosso blog ou ler nosso e-book Faster Faster: The Dawn of Lean Digital, no qual contamos como desenvolvemos o Lean Digital, suas práticas e os cases de transformação de alguns dos nossos clientes, como Itaú e Coca-Cola. 

 

"É preciso mudar a forma com que sua empresa evolui a experiência digital que entrega, suas plataformas digitais, reformular o caminho que você faz os seus produtos digitais, a forma como você lida com seus dados. É claro que, aqui, falo sobre ter squads, sobre Agile, DevOps, Design Thinking, Microservices, Cloud, Advanced Analytics, Machine Learning e uma imensa lista de metodologias e técnicas. Mas é preciso, também, redesenhar o seu Management System, a maneira como se faz planejamentos, orçamentos, que a companhia atua. Você precisa de um sistema de gerenciamento realmente focado em conectar estratégia com o dia a dia de trabalho das squads. E, finalmente, você precisa um novo approach sobre desenvolvimento de lideranças."

Cesar Gon

 

A nova liderança 

 

"Nós não precisamos de chefes, nós precisamos de líderes. Isso é uma mudança pessoal radical nas lideranças, na gerência. É, talvez, a parte crítica do processo para ganhar velocidade na mudança. Indo direto ao ponto, o problema somos nós, líderes, gerentes, executivos que temos carreiras muito bem-sucedidas, construídas no mundo corporativo do passado." 

Cesar Gon

 

Analisando mais profundamente o terceiro pilar, sobre a formação de lideranças, Cesar chama a atenção para o fato de que, tendo construído sólidas carreiras com modos de atuação voltados ao comando e controle, a maioria das altas lideranças não está preparada para assumir um perfil mais digital. 

 

"Nós encontramos esse sucesso usando métodos antigos de liderança: ter o controle, saber as respostas, não cometer erros. É quase impossível ter inovação e agilidade usando essa forma clássica comando e controle de estilo de liderança."

Cesar Gon

 

Segundo ele, novos e novas líderes precisam ter o preparo para colaborar mais do que comandar, fazer as perguntas certas mais do que dar as respostas e dar autonomia em vez de controlar. A liderança em tempos digitais, especialmente incertos como os atuais, deve ser voltada ao desenvolvimento de uma mentalidade de aprendizado constante - tanto em si como na companhia - e estar apto ou apta a criar ambientes que estimulem a experimentação e a tomada de riscos. 

 

Para isso, deve modificar seu olhar sobre erros e problemas. Vistos como oportunidades de crescimento e alavancas para a inovação, os erros devem ser compreendidos como partes naturais do processo de desenvolvimento de novos produtos, serviços e experiências. 

 

Por fim, diretamente ligada às capacidades descritas por ele como necessárias para a nova liderança, está a habilidade de compreender as pessoas. São as pessoas, seu engajamento, seu talento e sua criatividade que vão construir o sucesso da companhia. 

 

"Em 25 anos vivendo apaixonadamente nessa indústria louca de tecnologia, tem uma coisa que eu aprendi, que ficou e que, talvez, me defina como um líder empreendedor: quanto mais a tecnologia é a protagonista, mais a dimensão humana importa. Quando eu realmente olho o que acontece, tecnologia não inova - pelo menos, não ainda. São as pessoas que fazem isso. Tecnologia não é disruptiva, as pessoas são. Então, o meu conselho para os líderes é: enquanto vocês mantêm as suas hard skills, como finanças, marketing, operações e tecnologia, coloque muito esforço em desenvolver suas soft skills."

Cesar Gon

 

E quais são essas soft skills às quais Cesar se refere? São, principalmente, aquelas que ajudam a entender de pessoas. Ou seja, empatia, colaboração, cocriação e senso de como engajar seus liderados e suas lideradas e de como traduzir a estratégia da companhia em um propósito maior. 

 

"Ser um líder é, acima de tudo, colocar o rosto humano na liderança." 

Cesar Gon

 

A íntegra do bate-papo entre Cesar Gon e Bob Wollheim está neste podcast, gravado em inglês.