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SXSW: 5 desafios da liderança na era digital e como resolvê-los

Por: CI&T Team

SXSW: 5 desafios da liderança na era digital e como resolvê-los
Posted on Apr 3, 2018

A era digital está provocando uma mudança radical não somente no dia a dia das pessoas, mas na cultura das organizações. Vemos isso acontecer em empresas de diferentes segmentos e portes em todo o mundo e, pensando nisso, trouxemos esse tema para debate no maior evento de tecnologia, criatividade e inovação do mercado, o South by Southwest, mais conhecido como SXSW, que ocorreu em Austin, nos Estados Unidos, em março de 2018.

Não é mais novidade que todo produto ou serviço, hoje, precisa ser muito amigável, simples e, principalmente, ágil. E, neste contexto, o desafio maior vai para as empresas, que são confrontadas a testar novas maneiras de liderar para não somente atender as necessidades e as expectativas de um consumidor cada dia mais interessado em soluções inovadoras e experiências diferenciadas, mas alcançar o máximo de produtividade e rendimento com o mínimo de tempo e de esforço.

Se antes a prioridade de um líder era manter os resultados da empresa positivos e apenas controlar os negócios, agora, com certeza, é outra, totalmente diferente. Hoje é preciso orientar em vez de ordenar, guiar em vez de controlar, incentivar em vez de subestimar e encarar os erros como oportunidades, procurando corrigir sem julgar.

Por isso, o tema A New Leadership Model for the Digital Age foi um dos destaques dos painéis Lean Digital Speedway durante o SXSW. O mediador da conversa foi o próprio co-fundador da CI&T, Bruno Guicardi, que provocou os participantes do painel a mostrarem como as empresas em que atuam lidam com a inovação e como funcionam as suas estratégias de liderança. Os painelistas era: Swan Sit, VP Global Digital da Nike (tendo no currículo uma passagem de sucesso pela Revlon, onde participou do projeto de transformação digital da marca); Rob Charter, presidente do grupo Caterpillar Inc., fabricante norte-americana de máquinas, motores e veículos voltados, principalmente, para a construção civil e mineração; e Lizzie Widhelm, vice-presidente sênior de vendas publicitárias e estratégias de produto da Pandora, a plataforma de streaming de música.

 

O desafio de liderar na era digital

O grande diferencial do painel foi poder ouvir, em um único evento, como lideranças de empresas de diferentes portes e segmentos se comportam frente a desafios comuns.

A Caterpillar Inc., por exemplo, é uma organização que está no mercado há 93 anos e, há pouco tempo, se viu presa à necessidade de transformar o seu modelo de atuação para acompanhar as mudanças do digital. Por outro lado, a Pandora, que já nasceu digital, tem como desafio hoje crescer exponencialmente. O terceiro ponto de vista, é o desafio da liderança nas grandes empresas globais revelada por Swan, especialista em transformação digital.

Porém, o mais interessante é que todos essas organizações têm o desafio comum de liderar em uma era digital. Ou seja, a opção é só uma: encarar os obstáculos com maestria e encontrar por meio de um novo modelo de liderança a melhor forma de transformar seus negócios para ter sucesso no digital.

 

Como ser um bom líder?

Se um novo modelo de liderança é necessário, como posso ser um bom líder? A pergunta é profunda, afinal, para produzir resultados significativos ao transformar digitalmente a sua empresa é preciso mudar primeiro a mentalidade de toda a organização. O papel do líder, nesse caso é criar não somente equipes de alta performance, criativas e colaborativas, mas que ajudem a construir uma nova cultura de negócio.

Confira, a seguir, 5 desafios da liderança na era digital e saiba como resolvê-los.

 

1. Construir uma cultura voltada à inovação

Os tempos mudaram e é preciso esquecer um modelo de gestão vertical, baseado em comando e controle. Agora, é preciso de mais horizontalidade e colaboração. Ou seja, de uma cultura voltada à inovação, em que todos os colaboradores de uma empresa se sintam parte importante para o sucesso de uma estratégia de negócio.

O papel do líder, neste cenário, é impulsionar. Segundo Rob Charter,  presidente do grupo Caterpillar Inc., é possível fazer isso orientando a equipe a responder questões como: ‘como nós inovamos’, ‘o que é uma inovação progressiva’ e ‘como vamos executar tudo isso’. “Você deve ajudar a criar essa cultura e construir linhas guia, ter direcionamentos sobre como vai fazer determinado experimento”, comenta.

 

2. Criar pontes para que os colaboradores tornem reais grandes insights

Criar um ambiente voltado à colaboração, orientado à conquista de melhores resultados, é o caminho para o desenvolvimento de boas estratégias. De acordo com Lizzie Widhelm, da Pandora, é preciso dar voz aos colaboradores e construir uma ponte para que consigam expressar suas ideias.

Ela explica que na Pandora é feita um Productive Meeting, uma reunião semanal de uma hora que reúne diversas áreas da empresa para discutir a produtividade dos projetos e trazer novas informações e insights. “Essa é uma estratégia que funciona para uma empresa com uma operação pequena como a Pandora. E não significa que tudo o que começa a ser debatido será um sucesso, mas, assim, você consegue rastrear alguns pontos desse caminho”, afirma Lizzie. “Eu diria que essa abertura e essa transparência ajudam a controlar as coisas e ajudar nos testes que fazemos por conta própria”, completa.

 

3. Lidar com diferentes perfis de colaboradores 

Incentivar e valorizar a participação e o envolvimento de todos os colaboradores da empresa nos projetos e estratégias é uma das premissas que conduzem um bom líder na era digital. Essa pode até parecer uma tarefa simples, no entanto, para muitos funciona como um desafio enorme.

Segundo Swan, nesse novo momento do mercado, cada empresa tem seu sistema competitivo de incentivo, entretanto, não estamos falando aqui somente de recompensas monetárias, mas de avaliar a performance dos colaboradores e encorajar um comportamento eficiente, orientando e motivando cada vez mais.

“Como você como líder muda isso e cria um ambiente onde as pessoas não querem te jogar de um penhasco?”, provoca Swan. E a resposta: construindo ambientes de trabalho favoráveis às características de cada um. “Eu gosto de criar um ambiente em que as pessoas gostem de trabalhar juntas. Então, monto uma estrutura de trabalho propícia, que permite juntar introvertido com o extrovertido, os julgadores com os perceptivos - não julgando as suas habilidades sociais, mas porque é de onde eles tiram as suas energias”, revela. Segundo Swan, em um primeiro momento eles trabalham separados e depois, ao final do projeto, atuam juntos e, assim, ela consegue tirar o melhor de cada um dos profissionais da equipe.

Já no caso de Lizzie, em que a equipe tem perfis muito parecidos, os Hackathons funcionam muito bem. “Tem um momento em que unimos todo mundo de várias funções para discutir sobre os problemas e tirarmos um tempo para pensar na solução”, explica.

 

4. Empoderar os profissionais

Profissionais empoderados operam processos de qualidade e fazem uma empresa de alta performance. Para isso, é preciso, de alguma forma, dar liberdade para que os próprios colaboradores conduzam seus trabalhos de maneira produtiva e construam juntos soluções para problemas - uma tarefa mais fácil de ser realizada quando os times são parecidos e um desafio quando eles têm características diferentes.

No caso de Swan, para que a estratégia de dividir e depois unir os profissionais realmente funcione, todos trabalham sob uma mesma visão. “Claro que a nossa equipe tem metas, com números para alcançar, mas a premissa de atuarmos com uma única visão fez com que seja muito fácil empoderar as pessoas, porque estamos todos na mesma página e eu posso confiar que qualquer tomada de decisão é baseada na visão que construímos”, explica a especialista.

Sobre o assunto, Rob comenta: “a inovação não tem uma receita a ser seguida. É preciso oferecer para as pessoas da sua organização os meios e as ferramentas certas para o aprendizado e desafiá-los ‘vamos ser mais inovadores do que nós somos hoje?’”.

 

5. Colocar o consumidor no centro de todas as decisões

O consumidor é chave importante na construção de uma boa liderança. Montar um time rumo a construção de projetos de sucesso significa orientá-los a colocar o consumidor no centro de todas as suas decisões. É preciso ser obcecado por eles, ou seja: conhecê-los muito bem ao ponto de agradá-los sempre com boas experiências.

“Criar diversos conteúdos em volta de todas as tendências que envolvem a sua empresa não é o caminho. O importante é se voltar para seu consumidor e então trazer o que ele deseja para a sua marca”, comenta Swan.

Segundo Lizzie, é preciso instalar o mindset de que não se trabalha especialmente para o CEO, mas para atender as necessidades dos consumidores. “O que eu gosto em nossa cultura de liderança é que nós realmente acreditamos que trabalhamos para os nossos consumidores e, em qualquer momento, nós sempre nos voltamos para ‘o que é bom para ele é bom para nós’”, enfatiza.

 

Afinal, o que é ser líder?

 

Conheça, a seguir, a opinião de cada um dos participantes do painel sobre o que é ser líder atualmente:

 

“É liderar de forma destemida, com vontade de seguir o consumidor e ter estômago para acreditar nos dados e fazer algo a respeito disso, independentemente do quão difícil seja” 

Lizzie Widhelm, vice-presidente sênior de vendas publicitárias e estratégias de produto da Pandora

 

“O mundo está mudando, o consumidor está mudando e as empresas tradicionais nunca vão conseguir acompanhar isso se não mudarem. Então, eu acredito que não é uma questão de conseguir trabalhar na empresa dos seus sonhos, mas sim de saber como você vai adaptar o seu trabalho e as suas habilidades de liderança para ter sucesso”

Swan Sit, VP Global Digital com larga experiência em transformação digital na indústria da beleza

 

“A dificuldade está em saber o que é ter sucesso no passado e ter sucesso no futuro. Hoje, é preciso fazer a melhor entrega para o seu consumidor. E o interessante para mim é, que apesar da competitividade do negócio, as necessidades do consumidor, os motivos pelos quais ele está comprando, estão mudando. Então você tem que continuar evoluindo. Pode até ser de um jeito muito radical, desde que seus consumidores te sigam até lá”

Rob Charter,  presidente do grupo Caterpillar Inc.