Transformação digital é sobre pessoas

Por: Time CI&T

Foto de uma mulher de cabelos cacheados, óculos de grau, sorrindo para a câmera, com uma das mãos sob o queixo. Na sua frente, está a parte de trás de um notebook aberto.
Posted on Jul 30, 2020

O que você vai ler aqui:

  • Tecnologia como meio para direcionar estratégias e municiar decisões
  • Transformação digital é resultado da soma de conhecimento e inteligência coletiva
  • O seu papel como profissional nesse processo



"No futuro, toda empresa será uma empresa de software."
Marc Andreessen, co-fundador da Andreessen Horowitz

 

O futuro chegou mais rapidamente do que imaginávamos e do que supunha Marc Andreessen, em seu artigo publicado no The Wall Street Journal, em 2011. 

O distanciamento social imposto pela pandemia de Covid-19 acelerou os processos de transformação digital que já estavam em curso e que, além de terem que satisfazer consumidores cada vez mais exigentes - e, agora, quase exclusivamente online -, ainda precisam dar suporte a ambientes de trabalho remotos. 

 

"As mudanças que não aconteceram em cinco anos, estamos vendo acontecer em poucos meses. Hoje, as pessoas estão usando o digital para absolutamente tudo. Para se relacionar, para se divertir, para trabalhar. Essas mudanças já nos mostram um pouco do que será o famoso novo normal, mas não sabemos exatamente o que permanecerá nos nossos hábitos e o que desaparecerá. Então, é muito difícil prever o futuro. Essa imprevisibilidade vai caminhar com a gente por um tempo, e temos que estar prontos para ela."

Solange Sobral, Partner da CI&T

 

Isso provocou uma corrida das empresas em busca de tecnologias que permitissem a digitalização de processos e ferramentas que apoiassem a nova estrutura de comunicação e operação online que se fez necessária. No entanto, passado o período inicial de ajustes ao novo (novo) mundo, ficou claro o que já era uma certeza para as startups e para as companhias com maior maturidade digital: transformação digital não é sobre tecnologias, mas sobre as pessoas que estão por trás delas. 

 

Além da tecnologia

Acreditamos que alcançar a qualidade nas experiências e a agilidade que o mercado e clientes de hoje exigem depende diretamente da instalação de uma nova forma de operar que permita às pessoas desenvolverem o seu potencial para impulsionar a criatividade e a inovação nas empresas. Sem essa base, ter as melhores e mais inovadoras tecnologias, por si só, não garante resultados efetivos. 

 

Ou seja, a transformação digital é menos sobre adquirir competências relacionadas a machine learning, inteligência artificial e Analytics, por exemplo, e muito mais sobre instalar uma nova cultura corporativa e uma nova mentalidade, aberta à experimentação e às trocas de conhecimentos com o objetivo de construir um dos maiores valores das companhias digitais: a inteligência coletiva

 

É a inteligência coletiva que permite às pessoas aproveitarem os novos recursos e oportunidades e às empresas criar o novo com propriedade e agilidade e conquistar resultados de impacto para os negócios. 

 

"As pessoas são os melhores computadores que existem. É disso que se trata. É preciso construir uma estrutura que permita que elas aproveitem ao máximo a sua capacidade de gerar valor, de inovar. Empresas envolvidas em um verdadeiro processo de transformação digital têm equipes multidisciplinares que trabalham de forma colaborativa, com acesso a informações acuradas, que são compreendidas com facilidade e que permitem ações rápidas."

Erlon Faria Rachi, Data Science Manager

 

 

Qual é o papel, como profissional, nessa transformação?

 

De um lado, está esse papel fundamental das companhias ao estabelecer estruturas com maior horizontalidade e equipes multidisciplinares e autônomas, exigindo uma grande mudança de base cultural e de processos. 

 

Do outro, empresas são feitas de pessoas, com toda a sua diversidade e particularidades. A nossa experiência nos mostra que não é possível impor novos comportamentos e práticas, afinal, eles só serão incorporados se fizerem sentido individualmente, se facilitarem o trabalho. Entretanto, uma vez assimilados, transformam a forma de enxergar e executar ideias e, como consequência, muda-se também o mindset das companhias de ponta a ponta.

 

Independente da sua área de atuação ou nível hierárquico, aqui estão algumas dicas do que exercitar diariamente para se adaptar a esse perfil profissional do futuro.

 

  1. Saia do individual para coletivo

 

Você tem, constantemente, novos desafios atrelados à sua área de atuação. E nem sempre encontra as respostas que precisa de uma forma fácil e rápida como gostaria, certo? O passo fundamental dessa transformação é sair do individual para envolver outras pessoas para criar soluções em conjunto, de forma multidisciplinar

 

Por melhores que sejamos como profissionais, nossa capacidade criativa, cognitiva, é limitada. Quando você envolve pessoas com diferentes competências, você se abre para o novo e para soluções não óbvias. 

 

Afinal, vivemos um infinito de possibilidades de conexões com outras pessoas e de acesso a fontes de informação que multiplicam o nosso poder transformador. As melhores soluções vêm da soma desses conhecimentos e de potenciais que, além de criar novas realidades, trazem velocidade de resposta. E quando esse poder multiplicado encontra-se com um propósito, ele é capaz de alcançar impactos que nenhuma tecnologia sozinha seria capaz de fazer.  

 

  1. De pessoas reais para pessoas reais

 

Todo ambiente - seja real ou virtual - é constituído por meio da criação de relações baseadas em valores como respeito, confiança, empatia. Isso vai da conexão emocional com quem está ao seu lado, resolvendo desafios coletivamente, mas também em entender que toda e qualquer solução é destinada à pessoas.

 

Times multidisciplinares - ou squads - devem estar voltados ao desenvolvimento de ponta a ponta e à melhoria contínua de soluções para problemas priorizados, tendo sempre o cliente, pessoas reais, como foco de suas ações. Desta maneira, os times conseguem acompanham as necessidades e desejos sempre mutáveis do mercado e surpreender os consumidores de forma veloz. 

 

Como já dito neste artigo, compreendemos que os avanços da tecnologia da informação só atingem seu potencial completo quando pessoas estão envolvidas, quando a mudança é genuína, quando as decisões são tomadas considerando dados que têm qualidade. 

 

É a tecnologia usada por pessoas, por times engajados no entendimento dos problemas e que conseguem tanto implementar soluções, como medir os resultados para que haja evolução no relacionamento com clientes. 

 

  1. Tecnologia como meio e ferramenta, não como fim

 

Novas soluções tecnológicas surgem todos os dias para resolver os problemas mais diversos e são excelentes ferramentas para direcionar estratégias e municiar decisões. Mas não basta se cercar de tecnologia sem entender qual é, no final das contas, o real problema a ser solucionado. O impacto está em entendê-la como meio e não como o impacto por si só. 

 

Primeiro, vem o “por quê”. Antes de decidir sobre qual tecnologia colocar em ação, entenda qual é o propósito final. Em conjunto com pares, líderes, escolha um desafio - atrelado aos objetivos de negócio - e crie hipóteses de solução. Então, as tecnologias são o “como” fazer isso. 

 

"As várias tecnologias são apenas o 'como', o enabler para suportar essa decisão, garantindo que os problemas dos clientes sejam identificados de forma correta e as ações tragam resultados efetivos."

Erlon Faria Rachi, Data Science Manager




 

A responsabilidade enquanto líder

 

Para que essa mudança cultural que mencionamos anteriormente seja possível, é preciso começar pelas lideranças. Se você é líder ou almeja essa posição, entenda que seu papel é ser exemplo e criar um ambiente de fomento aos valores necessários para que a nova cultura se estabeleça. Para nós, uma forma de gestão capaz de estimular e suportar o desenvolvimento dessa nova maneira de pensar na corporação é a liderança Lean. Apoiado no Lean Thinking, esse modelo é caracterizado pelo foco em ajudar as pessoas a potencializar seus talentos e em desenvolver equipes na direção do ambiente de experimentação, colaboração e inovação. 

 

"O papel do líder passa a ser o harmonizador, o articulador de competências e um desenvolvedor, que faz um coach de talentos individuais para que os times ganhem capacidades voltadas à construção de uma história poderosa. De uma forma bastante complexa, ele passa a ser um grande balizador de que aquele time trabalha com um propósito e com uma visão de que vencer significa a vitória do negócio na entrega de valor para o cliente e a vitória do desenvolvimento pessoal."

Cesar Gon, CEO



 

Como disse Solange Sobral na citação no início deste artigo, "não sabemos exatamente o que permanecerá nos nossos hábitos e o que desaparecerá". Mas podemos conjecturar que o mundo tende a permanecer em modo híbrido, com o online cada vez mais presente na vida das pessoas e empresas em todos os campos. 

 

E ser digital é tratar tanto o passado como o futuro por meio da inteligência coletiva e agir de forma eficaz a partir de dados de qualidade, garantindo o foco nas pessoas e garantir entregas inovadoras alinhadas aos desejos do mercado.

 

Já no aspecto individual, colocar esses pontos em prática te ajudarão a ter o preparo necessário para se adaptar rapidamente às muitas mudanças que ainda virão, trazendo impactos positivos tanto na sua carreira, quanto no seu desenvolvimento pessoal.