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Transformação digital na indústria: o que esperar da nova revolução do setor

Por: George Arraes

Transformação digital na indústria
Posted on Feb 17, 2020

 

O que você vai ler aqui:

  • Um novo momento para a indústria

  • Os principais impactos do salto evolutivo da indústria

  • Como começar essa evolução na sua companhia

 

A indústria atual vive um momento muito parecido com o que as instituições financeiras enfrentaram há poucos anos com o fortalecimento das fintechs. Naquele momento, robustas e estáveis instituições que, há décadas, operavam basicamente da mesma forma, viram-se sacudidas por novos entrantes, que, utilizando-se das possibilidades da tecnologia, começaram a conquistar importantes fatias do mercado, entregando serviços financeiros com experiências à la Uber e Netflix. 

Os clientes, já acostumados às confortáveis jornadas na Airbnb e às transações na Apple, frustravam-se com serviços ofertados pelos bancos tradicionais e começaram a migrar investimentos e aplicações para as novas plataformas digitais. De uma realidade na qual o consumidor, muitas vezes, tinha que se deslocar à uma agência e, no máximo, dispunha da comodidade relativa de caixas eletrônicos e aplicativos de desktop limitados, surgia a experiência dos bancos totalmente digitais na tela do celular: fáceis, rápidos e sem fricção. 

Entendendo as novas regras do jogo, os bancos tradicionais rapidamente investiram bilhões em recursos para se mover nessa cadeia e melhorar a jornada dos seus clientes com ofertas de soluções financeiras digitais mais abrangentes e sofisticadas. Nesta corrida rumo à crescente digitalização, seguem agregando cada vez mais tecnologia aos seus processos, aumentando a agilidade das suas operações e utilizando as vantagens e facilidades do online em seus serviços, produtos e atendimento. Colhendo, assim, ótimos resultados

Chegou a hora da indústria fazer esse movimento de entender que estamos vivendo uma nova revolução no setor e que é possível ter uma performance muito melhor e resultados muito mais impactantes com o uso das tecnologias certas para atender às necessidades dos clientes. Por outro lado, de perceber que essas mesmas tecnologias, atualmente muito mais disponíveis, são combustível para o surgimento de novos players com potencial de concorrer com o seu negócio. Hoje uma pequena organização com uma impressora 3D - que imprime objetos por deposição dos mais diversos materiais - tem a capacidade de produzir peças de praticamente qualquer tipo para atender a qualquer mercado. 

 

Novos tempos para a indústria


Na história, os saltos evolutivos sempre chegam para movimentar estruturas até então estabelecidas. A primeira revolução industrial trouxe, lá em meados de 1700, muitas descobertas que facilitaram processos com as máquinas movidas a vapor. Já os avanços das segunda e terceira eras da indústria apoiaram-se na evolução científica para aprimorar os métodos e nas tecnologias disponíveis para otimizar atividades, como a criação de linhas de montagem, por exemplo, que surgiu para suprir a demanda do aumento de consumo.

Agora, em plena ascensão da indústria 4.0, as tecnologias impulsionam o potencial das companhias de melhorar sua performance, aumentar sua velocidade e de gerar valor, É possível automatizar e monitorar processos de forma cada vez mais minuciosa. Por meio de programação, as máquinas conseguem, com uma velocidade e precisão incríveis, rearranjar seus sistemas e fabricar produtos com especificidades diferentes em minutos.

O conceito "linha de montagem" ganhou um novo significado. Um bom exemplo são as montadoras de carros, que têm a capacidade de produzir um veículo a cada sete minutos, atendendo exatamente às especificidades de cada pedido. No momento em que o cliente compra um carro, ele escolhe cor, potência, acessórios e demais características que deseja. Assim que o pedido entra no sistema, as montadoras conseguem iniciar a produção e, minutos depois, temos o veículo exclusivo pronto para ser enviado para quem o comprou. É a chamada produção puxada no seu sentido mais exato.

Com esta capacidade de autorregulagem das máquinas e o aumento da possibilidade de hiper-personalização dos produtos, abre-se ainda mais espaço para melhoria operacional e, principalmente, para a redução de custos, de tempo e desperdícios com estoque. 

Além disso, com o uso de dados, sensores e IoT nos equipamentos, temos outros ganhos muito valiosos para a indústria: uma importante redução nos gastos com reparos e troca de peças e maquinário e um aumento substancial na segurança. Isso acontece com a chamada manutenção preditiva que, com tecnologias para controle de parâmetros de funcionamento, é capaz de prever com muita acuidade quando uma peça precisará de manutenção e qual reparo será necessário.

Com sensores implantados nas máquinas, você pode saber, em tempo real, como está o funcionamento por meio de parâmetros pré-estabelecidos, como temperatura, vibração, viscosidade do óleo, entre outros. Com o controle desses padrões, realizado por meio de medição sistemática e cálculos estatísticos, é possível ter uma previsibilidade maior sobre a vida útil de cada peça. Por exemplo, se uma determinada peça tem especificação para troca a cada mil horas - por um cálculo médio registrado em manual -, mas segue em bom estado, posso trocá-la com 1,5 mil horas. Isso gerará menos paradas dos equipamentos e menor custo de manutenção. 

O contrário também pode acontecer. Uma peça defeituosa pode ser detectada antes do tempo de troca regulamentar, gerando economia em possíveis danos e um importante ganho em segurança. Além disso, sabendo de antemão qual exatamente foi o problema, onde está o desgaste, é possível reciclar melhor as peças. É a chamada economia sustentável.

Tudo isso é perfeitamente factível hoje, com implantação de tecnologias e sensores em máquinas novas ou mesmo mais antigas. Porém, estamos falando apenas de um lado da moeda, que é a otimização de processos produtivos e a melhoria das operações tradicionais. Ainda temos um vasto campo de possibilidades a ser explorado quando se trata da indústria 4.0.
 

 

Os principais impactos do salto evolutivo da indústria


O grande ganho das indústrias que passam por essa digitalização intensa está além das questões operacionais tradicionais, está nas novas formas de receita que ela é capaz de gerar.  

Como exemplo, vamos pensar na indústria química. Os diferenciais para garantir a fidelização dos clientes são a qualidade do produto, a velocidade de produção e o compromisso de entrega. Porém, se um concorrente chinês entra no mercado oferecendo o mesmo produto a preços muito mais baixos com pequena perda de qualidade, provavelmente a sua indústria perderá compradores. 

Agora, imagine que sua empresa consiga prever quanto de matéria-prima o cliente precisará por mês analisando não só a periodicidade dos pedidos, mas as oscilações do mercado, a demanda reprimida do produto final fabricado por esse cliente e o movimento dos concorrentes dele. Mais do que um fornecedor de matéria-prima, você será capaz de oferecer informação estratégica, inteligência de mercado, o que tem muito mais valor e gera muito mais fidelização do que a matéria-prima em si.

Isso acontece por meio de inteligência de dados controlando não só o seu processo produtivo e suas vendas, mas também coletando e analisando informação de cada um de seus clientes, dos concorrentes deles e as movimentações do setor no qual estão inseridos. 

Outro exemplo que faz parte do meu dia a dia na CI&T é a possibilidade do uso dessa inteligência de dados para impactar indústrias que fornecem materiais e medicamentos para hospitais. Aqui, vamos partir do ponto número um do mercado digital: as necessidades do cliente. Neste caso, hospitais. Construídos em sua maioria em áreas centrais das cidades, onde o metro quadrado tem um alto valor, os hospitais têm grandes gastos em propriedade imobiliária e reservam parte importante dela para estoque de medicamentos e materiais. 

Uma indústria farmacêutica ou de materiais que consiga reunir, por meio de inteligência de dados e Analytics, informação de consumo de seus produtos por hospital, por região e por perfil de paciente tem altíssima capacidade de gerar valor para seus clientes. Já que, por ter a previsibilidade de produção e entrega para cada hospital, tem condições de oferecer entregas por ciclos menores - semanais ou até diários - da quantidade média exata consumida por período. 

Além disso, em caso de imprevisto, com a tecnologia, teria condições de repor o estoque em poucas horas. O hospital não precisaria mais manter grandes áreas para armazenamento de produtos, podendo ampliar ambulatórios. Também teria um importante ganho com a simplificação da gestão do seu almoxarifado. É a tecnologia somada à inteligência promovendo uma otimização da cadeia inteira, melhorando a performance, a velocidade e trazendo impactos em agilidade nos processos e aumento de receita em toda a cadeia

 

A era da integração


Falando em otimização, há uma fronteira que está prestes a ser quebrada pela indústria 4.0 e deve trazer melhorias não apenas para indústria, mas também para o varejo e o consumidor final. Em 2020, entrará em vigor o UMATI - ou Universal Machine Tool Interface -, uma interface universal, de padrão aberto, que integra de forma segura e fácil ferramentas e máquinas em ecossistemas de TI específicos para clientes e usuários.

Essa interface quebrará as barreiras dos diversos padrões atualmente existentes entre máquinas e softwares de diferentes fabricantes, facilitando a troca de dados e informações, interligando toda a cadeia produtiva. Com isso, será possível que qualquer máquina dentro de uma instalação industrial converse com outra de outra marca de forma automática, sendo necessária uma única programação. 

Para fora dos muros da fábrica, a interligação de dados de diversas fontes permitirá, pela utilização de Analytics, IoT e IA, a atenção cada vez mais ágil, veloz, precisa e hiper-personalizada às necessidades do cliente varejista e do consumidor final. Esse, talvez, seja um dos aspectos definitivos da indústria 4.0: o enorme potencial de gerar alto valor sem barreiras e em escala, impactando positivamente a cadeia produtiva de ponta a ponta

 

Como começar a evolução 4.0 

Na CI&T, não acreditamos em passo a passo definido em se tratando de transformação digital. Não existe “one size fits all”, em especial quando nos referimos a atividades tão complexas e distintas quanto as das indústrias. Cada segmento apresenta suas peculiaridades, cada companhia, seus objetivos e cada chão de fábrica, suas diferentes dores e processos.

Mas há alguns caminhos que são necessários e comuns a todas as companhias - em todos os setores. Vou listá-los aqui:

 

1 - Tenha urgência - Geralmente, o board das indústrias já tem a consciência de que o momento de começar é agora. Como já mencionado, a tecnologia permite que, com muita facilidade, concorrentes grandes ou até mesmo novos entrantes abocanhem parcelas do meu mercado e coloquem o seu negócio em risco.

 

2 - Investigue possibilidades - Compreendendo que é necessário agir, o próximo passo é analisar o que existe hoje no seu setor em relação às possibilidades para sua indústria. 

 

3 - Identifique suas oportunidades - As ferramentas são praticamente infinitas, então, comece olhando para dentro de casa de forma estratégica para identificar onde estão as oportunidades de melhoria que podem ser realizadas com as tecnologias disponíveis. Investigue quais são os campos de jogo que você têm para aplicá-las, como, por exemplo, manutenção preditiva, implementação de inteligência de dados para apoiar equipes de vendas, forecast etc. 

 

4 - Comece de forma incremental - Crie hipóteses de solução para essas oportunidades, esses problemas pré-existentes, e escolha uma iniciativa na qual seja possível testar uma dessas hipóteses com segurança, sem comprometer o seu negócio. Em ciclos de, no máximo, 90 dias, você deve ser capaz de verificar se algum ponteiro do seu negócio foi afetado. Mesmo que o ganho não seja fortemente significativo, você já terá indícios concretos de caminhos para seguir. 

 

5 - Escale resultados - Com esse primeiro ciclo de aprendizados, será possível partir para um teste maior, que talvez abranja outras áreas do seu negócio. Passe para o novo ciclo de 90 dias para testar, aprender mais e vá evoluindo nesse novo formato de operação para, pouco a pouco, melhorar sua performance, sua velocidade e ganhar escala na digitalização de sua indústria. 

 

Quando fazemos uso adequado da tecnologia, ela nos oferece o potencial de dar enormes saltos em performance, velocidade e qualidade em escala a produtos, serviços e experiências, trazendo ganhos - há pouco impensáveis - para a vida para as pessoas, para a sociedade e para os negócios. Cabe à indústria, por ser o ponto inicial da cadeia, uma grande responsabilidade de fazer esse futuro acontecer.