Este site usa cookies para oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao continuar e navegar pelo site, você aceita o uso de cookies.

Para informações completas, consulte nossa Política de Privacidade.

Vencendo o medo paralisante da transformação digital

Evandro Freitas

Vencendo o medo paralisante da transformação digital
Posted on Aug 22, 2017

Saiba como acabar com um sentimento que atrapalha o desenvolvimento e o sucesso das empresas

 

"Navegar é preciso, viver não é preciso", disse o poeta Fernando Pessoa.

Seguindo este mote, César Gon, CEO e fundador da CI&T, abre o nosso e-book sobre transformação digital afirmando que os “mares corporativos” estão revoltos. E assim é. Imersas em disruptivas possibilidades tecnológicas que desafiam estratégias e estruturas antes consolidadas, grandes corporações se encontram perdidas e repletas de incertezas.

Nascidas em tempos de relativa calmaria, nos quais o que importava era ter resultados previsíveis e evitar riscos, elas resistem em assumir o plano de navegar rumo à desconhecida transformação digital. Mas, hoje, não é possível permanecer no mercado sem mudar a rota tradicional.

 

eBook Lean Way to Digital Success

         

E a diferença entre atingir ou não o sucesso neste processo pode estar em um sentimento humano básico: o medo. Temer o novo é normal para qualquer um, mas, quando falamos do mundo dos negócios, apegar-se a velhas formas de fazer para não entrar em um universo desconhecido pode ser fatal.

Transitando por grandes corporações, percebo que o medo permeia o dia a dia de trabalho de diversos profissionais e provoca uma espécie de bloqueio, impedindo que projetos ou mesmo pequenas iniciativas rotineiras se tornem disruptivas e inovadoras. Ainda na minha opinião, este sentimento invade diversas camadas organizacionais, mas, principalmente, o corpo gerencial das corporações, que receia perder poder e cargos.

Até quando haverá lugar para mim? Como ser bem-sucedido neste novo cenário? Estou pronto para os novos desafios?

 

“As pessoas não têm medo de falhar; elas têm medo da vergonha”

Seth Godin, autor de vários best-sellers internacionais sobre marketing e trabalho

 

Pressionado pelo nível estratégico (que expressa a urgência pela transformação, mas não dá clareza de quais caminhos seguir) e também pelo nível operacional (repleto de jovens que consomem o digital no dia a dia e estão ávidos por vê-lo no seu trabalho), o gerente não consegue desempenhar suas funções com eficiência. Sem saber por onde começar, ele acaba dominado pela insegurança e tende a contaminar todos os processos nos quais se envolve.

Costumo classificar estes profissionais que têm medo de avançar em três estereótipos:

 

1. Operação padrão: profissional que preenche seu dia com atividades rotineiras, dedica esforços excessivos a controles e compliance e realiza várias reuniões improdutivas para dar a impressão de "estar ocupado o dia todo". Tudo para não ter tempo de pensar no futuro.

2. Míope: aquele gestor que usa sua experiência à frente do negócio para se apoiar em uma visão "retrovisor". Assim, ele empurra qualquer solução para o futuro, ganhando a ilusão de que o problema está muito distante ou não irá acontecer.

3. Mimimi: gerente que deseja fazer algo diferente, mas acaba sempre adotando visões superficiais, baseadas em algum "hit" do momento. Ele busca apoio "incondicional" para sua ideia, desde que ela não sofra nenhum tipo de crítica.

Mesmo que estes comportamentos sejam claramente inapropriados, a nossa experiência comprova que são mais comuns do que imaginamos em um primeiro momento. Mas existem caminhos para vencer este medo e criar coragem para ir adiante.


Para a transformação digital, é preciso criar, testar e falhar

Mesmo que pareça complexo correr riscos, é preciso enfrentar o novo. O mercado está em constante movimento e não espera que você fique de braços cruzados sobre ideias ótimas e revolucionárias para o seu negócio pelo receio de errar ou falhar.

O caminho para vencer esta luta está justamente na coragem de desbravar. O segredo está em encarar a transformação digital como uma mudança de cultura. Quem nos inspira para isso é a filosofia Lean, baseada no Toyota Production System. John Shook, que aprendeu essa nova forma de pensar - ou metodologia - na Toyota, quando a montadora abriu sua primeira planta nos EUA, diz que a maneira mais efetiva de mudar uma cultura é mudando, primeiro, o comportamento das pessoas.

 

 

Pirâmide de Shook representando a mudança cultural de acordo com o Lean

 

 

Revolucionário e simples, o modelo de transformação cultural proposto por Shook não tenta modificar a maneira como as pessoas pensam, mas como elas agem. Para isso, faz uso de processos bem-estruturados, capazes de facilitar as tarefas do dia a dia e permitir que todos aprendam e se desenvolvam. É aí que o nível gerencial encontra o seu porto seguro porque, no Lean, o líder é aquele que entende profundamente o trabalho e, assim, consegue não apenas assumir compromissos pelo time, mas também desenvolvê-lo e desafiá-lo em direção ao crescimento contínuo.

Este ensinamento do Lean encontra nos quatro princípios do Modern Agile a parceria perfeita para transformar a cultura:

 

Como transformar a cultura de acordo com Lean, baseado nos princípios do Modern Agile

 

 

1. Torne as pessoas incríveis

Steve Jobs instigava seus colaboradores perguntando: "Quais benefícios podemos dar ao cliente? Onde podemos levá-lo?". Pergunte-se como as pessoas que estão no seu ecossistema de negócios podem ter experiências incríveis, com o que elas sonham, quais são os seus problemas. Faça isso em conjunto com sua equipe, incluindo-a, já que ela também tem que estar muito envolvida e dedicada para proporcionar experiências memoráveis aos seus clientes. Estabeleça, então, objetivos futuros audaciosos, mesmo que os caminhos para atingi-los ainda sejam totalmente desconhecidos para você.

 

2. Faça da segurança das pessoas um pré-requisito

Tornar as pessoas incríveis não é possível se elas não estiverem tranquilas. A segurança é uma necessidade humana básica e a chave para desbloquear o alto desempenho. As pessoas precisam estar certas de que, ao assumir um erro, por exemplo, estarão ajudando a empresa a crescer e não perdendo seus empregos.

Um caso ocorrido no Google exemplifica bem este cenário: um engenheiro da companhia foi responsável por um erro em uma linha de código que custou um milhão de dólares de receita. Em muitas organizações, isso motivaria uma demissão. Porém, ao contrário disso, o vice-presidente Jeff Huber usou a situação como aprendizado, estimulando a discussão sobre as causas da falha entre a equipe. Essa postura, inclusive, salvou a empresa de perder mais alguns milhões porque novos problemas foram descobertos com essa experiência. Isso é o resultado de uma cultura que incentiva a tomada de riscos, mas cria mecanismos para falhar com segurança.

 

3. Experimente e aprenda rapidamente

Um jornalista perguntou, uma vez, a Jeff Bezos, CEO da Amazon, sobre o Amazon FirePhone, um fracasso total. Sem perder tempo, Bezos respondeu: "Estamos trabalhando em fracassos muito maiores agora". Bezos orgulha-se que a Amazon seja um lugar seguro para falhar. Ou seja, faça experimentos "para falhar com segurança" e, então, você não terá medo de realizar mais experimentos em busca do aprendizado constante. Isso o protege contra o desperdício de tempo e o ajuda a descobrir o sucesso mais rapidamente.

 

4. Entregue valor continuamente

O que não é entregue não está ajudando ninguém a se tornar mais incrível ou seguro. Pergunte-se como o trabalho que agrega bons resultados pode ser realizado mais rapidamente, com qualidade. Para isso, é necessário dividir quantidades maiores de valor em peças menores, que podem ser oferecidas com segurança e velocidade.

O AirBnB pode ser considerado uma inspiração de como é possível garantir a rápida entrega de valor sem perder a qualidade, independentemente das circunstâncias. Enquanto, em outras empresas, um novo engenheiro leva semanas ou meses para enviar um software à produção de forma segura, para eles, bastam apenas dois dias de trabalho.

Para isso, há um processo bem-estruturado de capacitação: sempre que há um novo engenheiro na equipe, um mentor é responsável por auxiliá-lo e por identificar ajustes a serem feitos, ajudando-o a compreender a sua tarefa. Essa experiência proporciona a cada novo membro do time a oportunidade de entender em detalhes o processo de desenvolvimento da AirBnB do início a fim.

Então, para vencer o medo da transformação digital é preciso, primeiro, entender que não há como fugir dela e, depois, pensar grande. Estabelecer objetivos de negócio ousados e inovadores é fundamental. O próximo passo é partir para a ação e começar a mudar sua cultura, modificando a forma como as pessoas trabalham.

Como já dito aqui, o Lean Thinking - ou a forma Lean de pensar - juntamente com o Modern Agile dão as ferramentas para que sua empresa realize isso. Busque aprender, teste formatos da metodologia que se adaptem ao modelo de negócios que sua empresa deseja alcançar e encontre o caminho melhor e mais viável para embarcar no novo mercado digital.